Índice não condiz com o número de eleitoras, que são maioria na cidade; advogado eleitoral, Lucas Fernandes, fala do tema
Em Ribeirão Preto, as mulheres representam apenas 33% das candidaturas a vereador nas próximas eleições municipais, Mulheres são apenas 33% dos candidatos a vereador em Ribeirão Preto, conforme dados da Justiça Eleitoral. Dos 400 candidatos registrados, 131 são mulheres, e não há candidatas ao cargo de prefeita. Atualmente, apenas 3 das 22 cadeiras da Câmara de Vereadores são ocupadas por mulheres, apesar de o público feminino ser a maioria entre os eleitores da cidade.
O eleitorado feminino em Ribeirão Preto é composto por 258.033 mulheres aptas a votar, o que corresponde a 54% de toda a população que deve comparecer às urnas no próximo domingo. Essa discrepância entre a representatividade feminina nas candidaturas e a participação eleitoral feminina tem motivado discussões sobre a importância da presença das mulheres na política local.
Representatividade feminina e demandas sociais
A professora Raissa Carine destaca a necessidade de propostas específicas para áreas como educação e saúde, que muitas vezes são tratadas de forma genérica pelos candidatos. Segundo ela, pautas que valorizem a ciência e a saúde da mulher ainda são pouco discutidas nas campanhas eleitorais, mas são essenciais para o futuro da população feminina.
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A aposentada Alernice dos Anjos Silva reconhece o poder das mulheres no processo eleitoral e afirma que pretende cobrar dos candidatos a vereador propostas mais precisas para a saúde pública, área que considera fundamental para a cidade. Já Zula Maradilima, também aposentada, ressalta a importância de mais segurança nas ruas, apontando que, apesar de Ribeirão Preto ser uma cidade interiorana e pacata, os casos de assalto no centro da cidade são frequentes e exigem maior policiamento.
Preocupações do eleitorado feminino: Além de saúde e segurança, o eleitorado feminino manifesta preocupação com o mercado de trabalho. As mulheres buscam mais oportunidades e a revisão dos salários, especialmente para aquelas que têm condições de cursar o ensino superior, visando garantir um futuro melhor para si e para suas famílias.
Para que essas demandas sejam atendidas, é fundamental que as mulheres compareçam às urnas. Na última eleição municipal em Ribeirão Preto, a abstenção foi de 22,82%, o que corresponde a mais de 100 mil eleitores que não votaram. A participação ativa no processo eleitoral é vista como uma forma de cobrar melhorias e influenciar diretamente nas políticas públicas.
Desafios estruturais e desigualdades de gênero
O advogado Lucas Fernandes, especialista em direito eleitoral, destaca que a participação feminina é essencial, pois as políticas públicas municipais impactam diretamente a vida das mulheres. Ele ressalta que, apesar de as mulheres serem maioria entre os eleitores, a proporção de candidatas não reflete essa realidade, o que evidencia um cenário de desigualdade estrutural e violência de gênero.
Fernandes explica que essa violência não se limita à física, mas inclui também a violência psicológica e moral, que muitas vezes impede as mulheres de ocuparem espaços de decisão política. Embora a legislação preveja cotas para candidaturas femininas, o número de mulheres eleitas ainda é muito inferior ao de homens, tanto para cargos de prefeito quanto para vereadores.
Processo democrático e avanços históricos: O advogado lembra que a democracia brasileira é relativamente jovem, tendo retomado eleições diretas em 1989. O direito ao voto feminino foi conquistado há apenas 92 anos, um período curto para consolidar a participação plena das mulheres na política. Segundo ele, é necessário romper com práticas históricas de concentração de poder, como o coronelismo, para democratizar o acesso e o exercício da política.
Esse processo de amadurecimento democrático é fundamental para reduzir desigualdades e promover o crescimento econômico, social e político da sociedade. A maior participação feminina nas eleições municipais de Ribeirão Preto é vista como um passo importante nessa direção.
Informações adicionais
Na última eleição municipal em Ribeirão Preto, a abstenção foi de 22,82%, representando mais de 100 mil eleitores que não compareceram às urnas. O público feminino compõe 54% do eleitorado da cidade, mas as candidaturas femininas representam apenas 33% do total.
Atualmente, apenas 3 das 22 cadeiras da Câmara de Vereadores de Ribeirão Preto são ocupadas por mulheres, e não há candidatas ao cargo de prefeita nas próximas eleições.