Franca, Morro Agudo, Cristais Paulistas e Orlândia estão entre as cidades mais afetadas
A prolongada estiagem que atinge a região ameaça desencadear uma nova crise hídrica em diversas cidades que dependem de rios e represas para o abastecimento de água. Municípios como Franca, Morro Agudo, Cristais Paulista e Orlândia estão entre os que podem sofrer os maiores impactos.
Racionamento já é realidade
Nessas localidades, a captação de água é realizada em rios e represas, que já apresentam níveis preocupantemente baixos devido à seca. Segundo o presidente do Comitê da Bacia do Rio Pardo, Paulo Finote, a estiagem deste ano pode ser ainda mais severa do que a de 2014. Em algumas cidades, o racionamento de água se tornou uma prática contínua desde o ano passado.
Em Barrinha, por exemplo, os moradores enfrentam interrupções no fornecimento de água do meio-dia às 16h, e novamente das 23h às 4h da manhã. Em Morro Agudo, o racionamento afeta os moradores das 13h às 17h, e das 22h às 6h da manhã. Já em Orlândia, o corte no abastecimento ocorre diretamente das 18h às 6h da manhã, levando muitos moradores a repensarem seus hábitos de consumo.
Leia também
Conscientização e Economia
Moradores relatam a necessidade de economizar água ao máximo, evitando desperdícios como torneiras abertas ao escovar os dentes e o uso de mangueiras para lavar calçadas. Em Morro Agudo, o período de racionamento foi ampliado após o nível do reservatório que abastece a maior parte da cidade diminuir 40 centímetros em apenas 30 dias. O assistente da Secretaria de Obras, William Jorge, alerta que, se a situação persistir, será necessário ampliar ainda mais o horário de racionamento, e pede a colaboração da população para economizar água e evitar o desperdício.
Impacto Além da Captação Superficial
O comitê da bacia do Rio Pardo alerta que a captação superficial em rios e represas não é a única preocupação. Cidades que dependem de poços artesianos também podem enfrentar problemas, já que a alta demanda de água devido ao calor pode sobrecarregar a distribuição. Foi registrada uma redução de 70 metros no cone da água subterrânea na zona central, levando o comitê a desenvolver um sistema dividido do ribeirão em três zonas, com restrições para a abertura de novos poços.
De acordo com o agro-meteorologista Glauco Cortez, atrássto é tipicamente o mês mais seco, e nos últimos cinco anos a quantidade de chuvas no período tem sido drasticamente reduzida. A escassez de chuva deve continuar até o início de setembro. O último registro de chuva em Ribeirão Preto foi em 26 de julho, com apenas 1 milímetro, encerrando o mês com 28 milímetros, frente aos 24,5 milímetros considerados normais.
Diante desse cenário, a colaboração da população e a gestão consciente dos recursos hídricos se mostram essenciais para mitigar os efeitos da crise.



