Ministério Público ouviu vítimas que tiveram a visão prejudicada nesta quarta-feira (12); promotor de justiça comenta
O Ministério Público ouviu nesta quarta-feira seis vítimas do mutirão de cirurgias de catarata realizado em outubro do ano passado no AME de Taquaritinga. Essas pessoas são de Matão. O próximo passo será ouvir os profissionais de saúde que participaram dos procedimentos, Mutirão contra a catara em Taquaritinga, também incluídos na lista de depoimentos do Ministério Público.
Investigação das vítimas: Foram ouvidas as doze vítimas iniciais do mutirão, sendo seis presencialmente em Matão e as outras por videoconferência, provenientes de cidades da região como Bitinga e Batéia. O objetivo das oitivas foi esclarecer como ocorreram os procedimentos cirúrgicos, o tratamento realizado e o atendimento pós-operatório oferecido pelo Estado por meio do AME.
Próximas etapas: Na próxima semana, o Ministério Público iniciará a oitiva da equipe médica e dos técnicos de enfermagem envolvidos nos procedimentos para obter a versão dos profissionais sobre os fatos.
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Atendimento e assistência às vítimas: Após a constatação do problema e do erro médico, o Estado, por meio do governador, ofereceu assistência médica aos pacientes. No entanto, as vítimas relataram demora na comunicação clara sobre o ocorrido. Inicialmente, foram informadas que os sintomas eram normais após a cirurgia, mas em dezembro foi comunicado que seria necessário um transplante de córnea. As vítimas foram encaminhadas para hospitais em Araraquara e Ribeirão Preto, onde continuam em atendimento.
Segundo relatos, ainda não há uma posição definitiva sobre a eficácia do transplante para a recuperação da visão. Além disso, foram identificadas falhas no acompanhamento psicológico e na assistência financeira, uma vez que muitas vítimas deixaram de trabalhar ou dependiam de complementos financeiros.
Processos indenizatórios: O Ministério Público pretende requerer assistência financeira permanente às vítimas e uma indenização moral coletiva pela quebra da confiança entre a população e o Estado. As indenizações individuais devem ser ajuizadas pelas vítimas por meio de advogados. Segundo informações, cinco ou seis já ingressaram com ações, e o Estado sinalizou propostas de acordo, cujos valores ainda serão avaliados pelas vítimas.
O objetivo das indenizações é compensar os danos sofridos e promover um caráter didático para que erros semelhantes não se repitam, garantindo dignidade no tratamento e no acompanhamento pós-cirúrgico.
Informações adicionais
O Ministério Público acompanha o caso com o apoio de médicos peritos do Centro de Acompanhamento e Execução. Após pareceres médicos, medidas judiciais serão tomadas conforme necessário.



