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Mutum-de-alagoas e a luta contra a extinção da espécie

Repórter Paulo Augusto conversa com o médico veterinário Alexandre Resende sobre as histórias que envolvem essa ave emblemática
Mutum
Repórter Paulo Augusto conversa com o médico veterinário Alexandre Resende sobre as histórias que envolvem essa ave emblemática

Repórter Paulo Augusto conversa com o médico veterinário Alexandre Resende sobre as histórias que envolvem essa ave emblemática

O mutum-de-alagoas, ave símbolo do estado de Alagoas, foi considerado extinto na natureza por mais de 40 anos devido ao desmatamento intenso e à caça, que é culturalmente enraizada na região Nordeste do Brasil. A espécie, endêmica de uma área restrita, teve sua população drasticamente reduzida entre as décadas de 1970 e 1980, com menos de 3% da Mata Atlântica original preservada em Alagoas.

Histórico da espécie: O mutum-de-alagoas foi descrito pela primeira vez no início do século XVII, durante o período colonial brasileiro. Desde então, sua população diminuiu significativamente, chegando a desaparecer do mapa por mais de um século. A caça e a perda de habitat foram os principais fatores responsáveis por sua extinção na natureza.

Esforços de conservação: O médico veterinário Alexandre Rezende relata que o resgate dos últimos exemplares do mutum-de-alagoas ocorreu graças ao criador científico Pedro Nardelli, que, no final dos anos 1970, montou uma equipe para capturar os últimos indivíduos na natureza, utilizando laços. Nardelli levou os animais para o Rio de Janeiro, onde iniciou um programa de reprodução em cativeiro.

Outro personagem importante foi Fernando Pinto, presidente do Instituto de Preservação da Mata Atlântica (IPMA), que foi o último a avistar a espécie na natureza e a soltá-la. Pinto também recuperou um mutum que havia sido criado por um caçador a partir de um ovo encontrado na mata.

Desenvolvimento científico e reprodução: Após a perda de um dos machos reprodutores, Nardelli iniciou um projeto pioneiro de inseminação artificial e hibridização com o mutum-cavalo, espécie próxima da Amazônia, para garantir a sobrevivência da espécie. Apesar das críticas, essa estratégia foi fundamental para evitar a extinção total.

Posteriormente, os animais foram divididos entre dois grandes criadores, Roberto Azeiredo, em Betim, e Mosse Cavalodias, em Postcaudos, para evitar riscos concentrados. O projeto ARCA, apoiado pela FAPESP e USP, utilizou biotecnologia e análise de DNA para identificar indivíduos geneticamente puros e planejar cruzamentos que mantivessem a variabilidade genética da espécie.

Reintrodução e situação atual: Hoje, existem mutuns-de-alagoas geneticamente puros, confirmados por testes de DNA, que estão sendo preparados para reintrodução na natureza. A população controlada em cativeiro já conta com mais de 200 indivíduos, garantindo uma variabilidade genética segura para o retorno ao habitat natural.

Informações adicionais

O mutum-de-alagoas possui vocalizações características, incluindo sons que lembram uma bolha caindo, usados para comunicação e alerta. A história de sua conservação envolve diversos personagens dedicados, como Pedro Nardelli, Fernando Pinto, Roberto Azeiredo e Mosse Cavalodias, que contribuíram para evitar a extinção da espécie.

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