Segundo Denise Leite Monteiro, apesar da queda nos índices, os números ainda são altos e a educação é fundamental na prevenção
Apesar da redução nos índices de gravidez na adolescência no Brasil nas últimas décadas, os números ainda são preocupantes. Em 2020, um em cada sete nascimentos foi de mãe adolescente (até 19 anos), e 14% dos partos ocorreram entre meninas de 10 a 14 anos. Em São Paulo, houve queda nos últimos 20 anos, mas o tema permanece tabu, impactando esferas econômicas e sociais, como a evasão escolar.
Riscos à Saúde da Mãe e do Bebê
A gravidez na adolescência apresenta riscos significativos para a saúde da mãe e da criança. A médica Denise Leite Maia Monteiro, secretária da Comissão Nacional de Ginecologia e Infanto-Juvenil da Febrasgo, destaca os problemas psicológicos, como solidão, conflitos familiares e abandono pelo parceiro. Do ponto de vista clínico, há maior incidência de prematuridade e anemia, sendo os riscos maiores quanto menor a idade da adolescente. A imaturidade do corpo da adolescente, que ainda está em desenvolvimento, leva a uma competição por nutrientes entre a mãe e o bebê. A falta de assistência pré-natal adequada também agrava os problemas.
Fatores Sociais e Prevenção
A desestruturação da vida da adolescente é um dos principais problemas. O abandono escolar, a assunção precoce de responsabilidades e o isolamento social contribuem para o desenvolvimento de depressão. Casamentos precoces também são um fator de reincidência na gravidez na adolescência. A educação sexual de qualidade é fundamental para promover uma sexualidade responsável e o planejamento reprodutivo. Programas de saúde, como a nova caderneta do adolescente (dividida em faixas etárias), buscam abordar essa questão de forma abrangente. O aumento da escolaridade também se mostra um fator crucial na redução da gravidez na adolescência, como demonstram estudos do Banco Mundial.
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Cenário Atual e Perspectivas
Embora tenha havido uma redução de 40% na taxa de gravidez na adolescência desde o ano 2000, os números ainda são altos, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. A violência sexual, principalmente em meninas menores de 14 anos, é um fator preocupante e requer atenção especial. O Ministério da Saúde tem implementado ações como a disponibilização de métodos contraceptivos de longa duração, como DIU e implantes, para aumentar a eficácia da contracepção e reduzir a reincidência, que se mantém em torno de 30%. A participação da família e a responsabilização masculina são cruciais para combater o problema. A proibição do casamento de menores de 16 anos também contribui para a redução das uniões precoces e consequentemente, para a diminuição da gravidez na adolescência. Ações contínuas de prevenção e conscientização são necessárias para enfrentar esse desafio de saúde pública.



