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Não é frescura e um profissional deve ser consultado! Saiba mais sobre o TOC!

Quem fala sobre as características de quem tem Transtorno obsessivo-compulsivo é Danielle Zeoti na coluna 'CBN Comportamento'
Não é frescura e um profissional
Quem fala sobre as características de quem tem Transtorno obsessivo-compulsivo é Danielle Zeoti na coluna 'CBN Comportamento'

Quem fala sobre as características de quem tem Transtorno obsessivo-compulsivo é Danielle Zeoti na coluna ‘CBN Comportamento’

Em conversa com Daniela Zeotti, especialista ouvida no quadro de comportamento da CBN, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) foi apresentado como uma condição que vai muito além de manias ou excentricidades. Ao lado de dados clínicos e exemplos conhecidos, a reportagem explica sintomas, impacto na rotina e por que é importante buscar tratamento cedo.

O que caracteriza o transtorno

O TOC combina obsessões — pensamentos ou imagens intrusivas e indesejadas, frequentemente catastróficas — e compulsões, que são rituais repetitivos usados para reduzir a ansiedade provocada por essas ideias. As causas envolvem fatores biológicos, psicológicos e sociais em interação. Entre os comportamentos mais comuns estão o medo de contaminação, a necessidade de limpeza excessiva, rituais motores repetitivos e repetição de palavras ou ações.

Impacto na vida e atraso no diagnóstico

O transtorno pode ser altamente invasivo, levando o indivíduo a isolar‑se, perder oportunidades de trabalho ou estudo e a sofrer alterações nas relações pessoais. Daniela Zeotti lembra que muitas famílias acabam se acomodando aos rituais — por exemplo, mantendo a casa sempre impecável para evitar crises — o que pode tornar mais difícil reconhecer que há um problema de saúde mental.

Um estudo de 2022, conduzido por um hospital universitário em São Paulo com mais de mil pacientes com TOC, apontou que, em média, as pessoas demoram quatro anos desde o início dos sintomas até buscar ajuda especializada. Esse atraso é preocupante porque quanto mais cedo se inicia avaliação psiquiátrica e psicológica, melhor o prognóstico. Há relatos de danos físicos, como a pele das mãos lesionada por lavagens excessivas, e prejuízos que se acumulam enquanto se ajustam medicação e vínculo terapêutico.

Casos e representações na cultura ajudam a ilustrar o problema: o filme “Melhor é Impossível”, com Jack Nicholson, é citado como exemplo de como o transtorno pode levar ao isolamento social, e personalidades públicas, como o cantor Roberto Carlos, já relataram rituais que mais tarde foram compreendidos como sintomas do TOC.

Tratamento e orientações práticas

O tratamento mais eficaz costuma combinar psicoterapia — especialmente terapia cognitivo‑comportamental com exposição e prevenção de resposta — e medicamentos psicotrópicos. A resposta pode levar semanas, e é comum ajustar doses e estabelecer vínculo com o terapeuta nas primeiras consultas, por isso a equipe ressalta a importância de iniciar o acompanhamento sem demora.

Também é frequente que pessoas com TOC apresentem baixo insight, isto é, dificuldade em reconhecer o prejuízo causado pelos próprios comportamentos; quando o insight é maior, o paciente tende a procurar ajuda mais cedo. Profissionais recomendam que familiares percebam sinais de sofrimento e incômodo e incentivem a busca por avaliação especializada em saúde mental.

O chamado é para atenção e ação: reconhecer sintomas, informar‑se e procurar tratamento pode reduzir anos de sofrimento e melhorar a qualidade de vida das pessoas afetadas pelo transtorno.

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