Médico cardiologista, Fernando Nobre, fala dos riscos dos quilos a mais para o público de 5 a 10 anos; ouça o ‘CBN Saúde’
No quadro de orientação cardiovascular, o cardiologista Dr. Fernando Nobre chama atenção para o aumento do sobrepeso entre crianças brasileiras, especialmente na faixa de cinco a dez anos. Segundo ele, a elevação nos índices de peso infantil preocupa pela associação com doenças crônicas na vida adulta, como doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer.
O estudo e os principais dados
Uma pesquisa brasileira publicada em abril no periódico The Lancet Regional Health – Americas analisou registros de mais de 5,7 milhões de indivíduos a partir do cruzamento de três bases: o Cadastro Único, o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) e o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN). O trabalho comparou crianças nascidas entre 2001–2007 e 2008–2014 e constatou que as mais recentes têm, em média, 1 centímetro a mais de estatura.
Além do aumento na estatura, o estudo apontou crescimento na prevalência de sobrepeso e obesidade. Entre crianças menores de 5 anos, a prevalência subiu de 10% para 11,8% entre os meninos e de 9,6% para 10,5% entre as meninas. Na faixa de 5 a menos de 10 anos, os índices passaram de 26,8% para 30% nos meninos e de 24% para cerca de 26,6% nas meninas.
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Causas e implicações para a saúde pública
Os autores relacionam parte desse padrão ao desenvolvimento econômico e à melhora nas condições de vida, que influenciam crescimento linear das crianças. No entanto, o mesmo cenário trouxe aumento do excesso de peso, o que representa um desafio para a saúde pública por elevar o risco de doenças crônicas ao longo da vida.
O índice de massa corporal (IMC) e indicadores de baixa estatura continuam sendo usados como marcadores importantes para detectar problemas nutricionais. Segundo o estudo, a manutenção do monitoramento do crescimento e a formulação de estratégias preventivas são necessárias para frear a tendência de obesidade infantil no país.
Vozes da especialidade
A Dra. Fabiola Suano, presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, afirma que os indicadores têm se agravado e destaca que a obesidade diminui a qualidade de vida e reduz a expectativa de vida. Ela lembra que a criança é influenciada pelos hábitos familiares, já que não escolhe sozinha o que consumir nem os estilos de vida a que está exposta.
Especialistas ressaltam que crianças obesas têm maior probabilidade de permanecer obesas na vida adulta e apresentam risco aumentado de doenças cardiovasculares, diabetes e alguns tipos de câncer, o que reforça a necessidade de vigilância contínua e de políticas públicas voltadas à prevenção.
Profissionais de saúde pedem atenção permanente ao crescimento infantil e medidas integradas entre famílias, escolas e serviços de saúde para promover alimentação equilibrada e atividade física desde a primeira infância.