Região é referência na produção de café, por exemplo; Ricardo Lima de Andrade, diretor da Cocapec, fala sobre essa cultura
As exportações do agronegócio paulista registraram uma redução de 16, Não é só o setor calçadista! Franca se destaca pelo agronegócio,2% no primeiro semestre de 2024. Os cinco principais produtos exportados pelo estado foram complexos, suco alcooleiro, produtos florestais, soja, carnes — com destaque para a bovina — e suco de laranja. O café, tradicional na região, ficou em sexto lugar entre os produtos exportados.
Produção de café na região de Franca
Franca é a principal cidade da região da Alta Mogiana, conhecida por sua produção bicentenária de café, que abrange municípios do sul de Minas Gerais e do interior de São Paulo. A qualidade do grão é atribuída à altitude média favorável da região, que contribui para o cultivo.
Ricardo Lima de Andrade, diretor de negócios da Coca-Pak, cooperativa de cafeicultores e agropecuaristas da região, destaca que a cafeicultura em Franca e municípios vizinhos como Pedregulho, Cristais Paulista, Patrocínio Paulista, Tirapuã, Jeriquara e São José da Bela Vista é referência no estado e no país. Segundo ele, a região possui uma tradição de mais de 200 anos na produção de café, que se mantém relevante graças às condições climáticas, do solo e ao trabalho das gerações de produtores locais.
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Modernização e tecnologia na cafeicultura: Ricardo enfatiza que, apesar da tradição, a cafeicultura da região passou por um processo de modernização ao longo das últimas décadas. Isso inclui a adoção de novos materiais genéticos, técnicas de plantio, irrigação e colheita mecanizada, que contribuem para o aumento da produtividade e da qualidade do café, sem deixar de preservar a geração de empregos locais.
Ele ressalta que a modernização é acompanhada por um pacote tecnológico e capacitação dos produtores, promovidos por entidades regionais. O uso eficiente de insumos agrícolas, alinhado a práticas sustentáveis, permite ao produtor reduzir custos e aumentar a resiliência diante das oscilações do mercado.
Café especial e mercado: O cultivo de cafés especiais tem agregado valor à produção da Alta Mogiana. Ricardo explica que o sucesso do produtor depende da aplicação de boas práticas agrícolas, assistência técnica, acesso a financiamento e capacitação. A qualidade do café é fundamental para acessar mercados mais exigentes e obter melhores preços.
Ele destaca que o café é o principal produto de exportação da região, com US$ 93 milhões exportados no primeiro semestre de 2024, superando setores tradicionais como o calçadista, que registrou US$ 25 milhões no mesmo período. A cafeicultura é, portanto, um motor econômico importante para a região, que abrange cerca de 16 a 17 municípios paulistas e mineiros.
Impactos climáticos e desafios futuros
O fator climático é determinante para a produção agrícola, incluindo o café. Ricardo aponta que a cafeicultura regional é predominantemente de sequeiro, com apenas cerca de 10% das áreas irrigadas. Isso torna os produtores vulneráveis às variações no regime de chuvas e às condições ambientais.
Ele destaca que o outono mais seco, característico da região, é importante para a qualidade da colheita, que ocorre neste período. No entanto, a demora na chegada das chuvas na primavera pode agravar o déficit hídrico e representar desafios para a safra de 2025.
Ricardo reforça que, apesar das limitações climáticas, os produtores buscam adotar boas práticas agrícolas para aumentar a resiliência das plantações e minimizar os impactos negativos.
Entenda melhor
A cafeicultura na região da Alta Mogiana é uma atividade tradicional que alia tradição e modernização tecnológica. A produção de café especial tem impulsionado a economia local, tornando o produto uma das principais exportações do estado de São Paulo. A sustentabilidade e a adaptação às condições climáticas são desafios constantes para os produtores, que buscam manter a qualidade e a competitividade no mercado global.



