Quem fala sobre o assunto e os tabus relacionados a ele, é a psicóloga Danielle Zeoti na coluna ‘CBN Comportamento’
A depressão infantil, tema ainda pouco discutido, tem apresentado crescimento alarmante nos últimos anos, especialmente após a pandemia. A psicóloga Daniela, em entrevista à CBN, alerta para a importância de identificar e tratar esse problema, que se manifesta de forma diferente em crianças e adolescentes comparado aos adultos.
Manifestações da Depressão Infantil
Ao contrário dos adultos, que frequentemente relatam tristeza e desesperança, as crianças raramente expressam seus sentimentos abertamente. A depressão infantil costuma se manifestar por meio de irritabilidade, agressividade, rebeldia, problemas na escola (queda no desempenho ou envolvimento em brigas), e mudanças de comportamento, como a prática de bullying ou o sofrimento por ele. A perda de interesse em atividades antes prazerosas, como videogames ou esportes, também é um sinal importante.
Sinais de Alerta e Gravidade
Outro sintoma crucial é o isolamento social, que indica um quadro mais grave. A recusa em participar de eventos sociais, a solidão no recreio escolar e o afastamento de amigos, mesmo virtuais, são sinais de alerta. Em estágios mais avançados, a criança ou adolescente pode apresentar apatia, choro fácil, tristeza constante e um aumento ou diminuição significativa no sono e apetite. A mudança de comportamento, de agitado para apático, pode ser enganosa, pois a criança pode parecer mais tranquila, mas na verdade está em um estado mais grave. Alterações no sono (insônia ou hipersonia) e no apetite (aumento do consumo de fast food ou recusa alimentar) também devem ser observados.
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Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico deve ser realizado por um profissional especializado, como psicólogo, psiquiatra ou pediatra. O tratamento geralmente envolve psicoterapia, orientação familiar e escolar, buscando a integração de todos os envolvidos na vida da criança. Em alguns casos, a medicação, prescrita por um psiquiatra infantil, pode ser necessária. O tratamento precoce é fundamental para minimizar os prejuízos no desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança ou adolescente. A intervenção rápida aumenta as chances de um prognóstico positivo e reduz as consequências a longo prazo.