MP deve denunciar Branda Caroline Xavier pela morte de Carlos Felipe Camargo da Silva e por fraude processual
Acusação e contexto do caso
O Ministério Público de Ribeirão Preto informou que vai denunciar a fotógrafa Brenda Carolini Pereira, 29 anos, pelo homicídio do namorado Carlos Felipe Camargo da Silva e pelo crime de fraude processual. Segundo o promotor do caso, Marcos Túlio Nicolino, há indícios de que a cena do crime foi alterada antes da chegada da polícia.
Brenda se apresentou à polícia três dias após o crime e, na ocasião, afirmou ter esfaqueado o companheiro em defesa própria, relatando ter desferido três facadas. A hipótese de legítima defesa, entretanto, já foi descartada pela Polícia Civil e também rejeitada pela promotoria, que considera as lesões apresentadas pela mulher suspeitas e passíveis de terem ocorrido após o homicídio.
Evidências, perícia e depoimentos
O celular de Brenda já foi periciado pela polícia, mas o promotor pediu nova análise ao Instituto de Criminalística para tentar recuperar mensagens e áudios apagados. No relatório da investigação, os peritos destacam a quantidade de facadas como indício de excesso e de que a autora teria causado lesões maiores do que as necessárias para repelir uma agressão.
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Também consta no inquérito o depoimento de um ex-sogro de Brenda, que se apresentou espontaneamente e relatou episódios de agressividade por parte da acusada. Segundo ele, Brenda teria tentado atacar o filho com uma faca em duas ocasiões, circunstância que teria levado a vítima a deixar a casa onde moravam, no bairro Ribeirão Verde.
Os investigadores apontam ainda que a residência — onde Carlos Felipe foi encontrado ferido — teria sido limpa antes da chegada da perícia, elemento que fundamenta a possível denúncia por fraude processual.
Pedido de prisão preventiva e desdobramentos
O delegado responsável pelo caso, Rodolfo Latificeba, concluiu o inquérito e pediu a prisão preventiva de Brenda. O Ministério Público deve apresentar o mesmo pedido à Justiça, alegando risco de nova interferência na coleta de provas e a necessidade de preservar a integridade de testemunhas.
Brenda está em liberdade desde 6 de março, data em que prestou novo depoimento. A defesa da acusada foi procurada pela reportagem, mas ainda não se manifestou sobre o pedido de prisão. Em reportagens anteriores, o advogado Alexandre Durante afirmou que provaria, ao longo das investigações, que sua cliente era vítima de violência doméstica.
Familiares da vítima aguardam a decisão judicial e dizem que a prisão preventiva seria um alívio diante da perda. Nos próximos dias, cabe à Justiça decidir se acolhe a denúncia e o pedido de prisão formulados pelo Ministério Público.



