Quem fala dos riscos destas drogas que usam o ‘corpo perfeito’ para seduzir os pacientes, é o cardiologista Fernando Nobre
Medicamentos para emagrecimento devem ser encarados como complemento às mudanças no estilo de vida e não como solução isolada, afirma o endocrinologista Carlos Eduardo Barracuri, convidado do programa CBN Saúde. Segundo o especialista, houve uma revolução recente na terapêutica anti-obesidade, com fármacos que ajudam não apenas na perda de peso, mas também na prevenção e no tratamento de doenças associadas ao excesso de gordura corporal.
Tratamento como complemento e a natureza crônica da obesidade
Barracuri ressalta que a obesidade é uma doença crônica, complexa e com tendência a recidiva, o que justifica um tratamento de longo prazo. Para ele, ““o tratamento medicamentoso da obesidade é sempre coadjuvante e deve ser empregado em paralelo à alimentação saudável e à atividade física regular””. O especialista defende que, por essa característica crônica, muitos pacientes poderão necessitar de acompanhamento contínuo.
Riscos do uso indiscriminado
Apesar dos ganhos terapêuticos, o endocrinologista alerta para os perigos do consumo sem prescrição e sem monitoramento médico. O acesso facilitado a esses medicamentos em farmácias e o uso motivado por fins estéticos ou por curtos períodos — de um a três meses — são práticas desencorajadas. ““Infelizmente, observa-se um excesso de procura desses medicamentos em farmácias, muitas vezes sem receita e sem acompanhamento médico. Isso é preocupante, pois, como todo medicamento, eles têm riscos de efeitos colaterais que devem ser monitorados””, afirmou Barracuri.
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Benefícios além da balança
Os medicamentos mais modernos já demonstraram eficácia não só na redução do peso, mas também no controle e na prevenção de complicações associadas, como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), hipertensão arterial, doenças renais, esteatose hepática e insuficiência cardíaca. Por esse motivo, o especialista defende uma abordagem multidisciplinar, combinando fármacos, orientação nutricional e prática regular de atividades físicas.
Profissionais de saúde lembram que a prescrição e o acompanhamento médico são fundamentais para avaliar benefícios e riscos, minimizar efeitos adversos e garantir resultados mais seguros e duradouros.