João Túbero recebe Bruno Pessotti para uma conversa sobre gestão no futebol, identidade dos clubes e modelos de governança
O programa Nas Quatro Linhas, da CBN, recebeu Bruno Pessotti para discutir a gestão no futebol. Pessotti, com vasta experiência em clubes como Botafogo de Ribeirão Preto e Ferroviária, abordou as diferenças entre a estrutura jurídica associativa e empresarial dos clubes, especialmente após a aprovação da Lei da SAF.
Modelos de Gestão: Associativo x Empresarial
Pessotti explicou que não há um modelo superior ao outro, mas sim o que melhor se adapta à identidade de cada clube. O modelo associativo, tradicionalmente baseado em financiamento comunitário, contrasta com o modelo empresarial (SAF), que proporciona maior coesão administrativa e gestão técnica, através da distribuição de cotas de participação. A escolha depende das práticas de governança e não apenas da estrutura jurídica.
Identidade e Transformação: O Caso Red Bull Bragantino
A discussão se estendeu à questão da identidade do clube, especialmente após a aquisição do Bragantino pela Red Bull e as mudanças subsequentes em sua identidade visual. Pessotti argumenta que, embora possível criar artificialmente uma nova identidade, respeitar a história e a ligação com a comunidade é crucial para a conexão com o torcedor. A Red Bull, por sua vez, avalia os riscos e benefícios dessa estratégia, buscando atingir um público maior, mesmo que à custa de alienar torcedores tradicionais.
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Gestão em Clubes do Interior: Sustentabilidade e Planejamento
Por fim, o programa abordou os desafios da gestão em clubes do interior de São Paulo. Pessotti defendeu a importância da sustentabilidade financeira, esportiva e social. A gestão precisa ser prudente, com planejamento estratégico, buscando eficiência e a construção de uma identidade de jogo coerente com os recursos disponíveis. A função social do clube, com foco na experiência do torcedor e na transmissão de valores positivos, também foi destacada como fundamental.
A conversa finalizou com uma reflexão sobre diferentes modelos de gestão em clubes ao redor do mundo, incluindo o Ajax, a Juventus e o Southampton, destacando a importância de construir um modelo próprio, adaptável às características de cada clube e comunidade.