Ouça o quadro ‘A Cidade há 100 anos’, com Rosana Zaidan
As tradições natalinas de 100 anos atrás nos revelam um contraste marcante com as celebrações contemporâneas, unindo o sagrado e o profano de maneira peculiar. Vamos explorar como o Natal era vivenciado no Brasil.
Um Natal Menos Consumista e Mais Afetivo
Diferentemente dos natais atuais, marcados pelo consumismo, as celebrações de antigamente prezavam pela simplicidade. Os presentes eram modestos, e a partilha de alimentos era um gesto central. Remontando a Salvador do século XVIII, por exemplo, gravuras retratam escravos levando perus, frangos, leitões e cestas de bolos e doces como presentes. Essa troca de comida visava garantir uma ceia farta e proporcionar a experiência de novos sabores, simbolizando afeto e fé.
A Festa Popular Brasileira
O folclorista Câmara Cascudo acreditava que o Natal já nasceu como a maior festa popular brasileira, mesmo sob o sol escaldante do verão. Os termos “Natal” e “festa” eram quase sinônimos, e o mês de dezembro era repleto de bailes e banquetes, culminando no Dia de Reis, em 6 de janeiro. As companhias de Folia de Reis, embora menos comuns hoje em dia, mantêm viva essa tradição em algumas cidades, com seus cantos e personagens marcantes.
Tradições e Exageros
As danças como congadas, reisados, marujadas, bumba meu boi e lapinhas conduziam à Missa do Galo, celebrada à meia-noite do dia 25. Essa missa, tema de um conto de Machado de Assis, carrega um forte simbolismo. Contudo, a moderação nem sempre era presente nas festividades. Historiadores relatam que o consumo de bebidas alcoólicas, como a cachaça, era comum, como ilustra uma quadrinha da época: “Veja como estão vancês de caiana tão abrindo, vocês não vêm presep porque estão embriagados”.
As tradições natalinas antigas nos oferecem um olhar fascinante sobre um passado onde a simplicidade, a partilha e a fé se entrelaçavam nas celebrações.



