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Negacionismo ou exagero? A favor do armamento ou contra? Pró-vacina ou anti?

Polarização no Brasil transcende o espectro político e entra em outras áreas; quem analisa é o professor e escritor Luiz Gaziri
Negacionismo ou exagero? A favor
Polarização no Brasil transcende o espectro político e entra em outras áreas; quem analisa é o professor e escritor Luiz Gaziri

Polarização no Brasil transcende o espectro político e entra em outras áreas; quem analisa é o professor e escritor Luiz Gaziri

A polarização social e política no Brasil tem se intensificado desde a pandemia de Covid-19, Negacionismo ou exagero? A favor do armamento ou contra? Pró-vacina ou anti?, gerando divisões profundas que vão além do campo político, afetando diversos aspectos da convivência social. Esse fenômeno, marcado por um aumento do extremismo e da intolerância, tem sido objeto de estudo e preocupação entre especialistas em comportamento humano.

Polarização e extremismo: riscos para a sociedade

O professor Luiz Gaziri, especialista em comportamento humano e escritor, destaca que a polarização pode levar a caminhos perigosos, como o extremismo e a incapacidade de diálogo entre grupos com opiniões divergentes. Segundo ele, a falta de disposição para escutar o outro contribui para decisões arriscadas e para o aumento da violência social.

Gaziri explica que o cérebro humano possui uma tendência evolutiva a dividir o mundo entre “nós” e “eles”, o que pode gerar preconceitos e hostilidade contra aqueles que pensam diferente. Essa divisão, muitas vezes, resulta na desumanização do outro, abrindo espaço para atos de violência motivados por diferenças ideológicas.

Armas de fogo e violência: evidências científicas: O debate sobre o impacto da posse de armas na sociedade também foi abordado. Luiz Gaziri ressaltou que estudos científicos, como os realizados por universidades de Harvard, Wisconsin, Stanford e Califórnia, indicam que a presença de armas de fogo em residências aumenta significativamente as chances de ocorrência de violência doméstica e acidentes.

O especialista destacou que armas de fogo possuem um potencial letal muito maior do que outras armas, como facas. Ele citou dados que mostram que a taxa de mortalidade por ferimentos causados por armas de fogo é de aproximadamente 91%, enquanto a chance de morte por facada é cerca de 1,2%. Além disso, a facilidade de disparo a longas distâncias torna as armas de fogo particularmente perigosas.

Gaziri mencionou um caso recente no Brasil, em Sertãozinho, onde um homem foi baleado durante uma briga entre vizinhos, ilustrando os riscos reais da circulação de armas na sociedade. Ele também citou o aumento da compra de armas no país nos últimos anos e alertou para a falsa sensação de segurança que a posse de armas pode gerar, ressaltando que a maioria dos crimes ocorre em locais onde a presença de armas não impede a violência.

O papel da informação e da ciência no combate à polarização

O professor enfatizou a importância da busca por informações precisas e baseadas na ciência para superar a polarização. Ele criticou a tendência das pessoas a se fecharem em suas próprias crenças e a rejeitarem fatos que contradizem suas opiniões, fenômeno conhecido como viés de confirmação.

Gaziri também alertou para a desconfiança crescente em relação ao jornalismo profissional, que, apesar de passar por rigorosos processos de checagem, muitas vezes é desacreditado em favor de informações disseminadas por políticos ou redes sociais sem filtro. Ele defendeu a necessidade de valorizar fontes confiáveis e o jornalismo responsável como ferramentas essenciais para o esclarecimento público.

Estudos sobre comportamento social e polarização: Entre os estudos citados pelo professor, destaca-se uma pesquisa da Universidade de Stanford que demonstrou que grupos compostos por pessoas com opiniões homogêneas têm menor capacidade de resolver problemas do que grupos heterogêneos. A inclusão de indivíduos com perspectivas diferentes dobrou a taxa de sucesso na resolução de um mistério proposto.

Outro estudo mencionado foi o “paradigma do grupo mínimo”, que mostra como até mesmo diferenças irrelevantes podem levar as pessoas a favorecerem seu próprio grupo e prejudicarem o grupo oposto, mesmo que isso cause prejuízo ao seu próprio grupo. Esse comportamento reforça a tendência humana à divisão e ao conflito.

Entenda melhor

O livro “A Arte de Enganar a Si Mesmo”, do professor Luiz Gaziri, reúne mais de dois mil artigos científicos e entrevistas com pesquisadores de instituições como Harvard, Stanford e NYU para explicar os mecanismos psicológicos por trás da polarização, do extremismo e da disseminação de fake news. A obra é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico, um dos principais reconhecimentos da literatura acadêmica no Brasil.

Gaziri ressalta que a educação, a leitura e o esclarecimento são fundamentais para combater os efeitos negativos da polarização e promover uma convivência mais pacífica e respeitosa na sociedade.

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