Negociação de café com a China aumenta, mas não é suficiente para suprir perda do mercado estadunidense
Nos últimos anos, o Brasil tem intensificado suas exportações de café para a China, um mercado em expansão. No entanto, apesar desse crescimento notável, o consumo de café na China ainda é relativamente baixo, o que levanta questões sobre a capacidade desse mercado em absorver o volume de café que os Estados Unidos, tradicionalmente um grande importador, podem deixar de adquirir do Brasil.
Impacto das Tarifas Americanas
A imposição de tarifas sobre o café brasileiro pelos Estados Unidos representa uma preocupação significativa para o setor. O café, sendo o terceiro produto mais exportado para os EUA, não foi incluído na lista de isenções tarifárias. William Caesar Freire, gerente de operações de uma propriedade em Franca que exporta para diversos países, destaca a perda potencial do maior mercado de café. Apesar disso, ele acredita que a safra brasileira, que não é excessivamente grande, pode ser redirecionada para outros destinos. O setor cafeeiro já está ativamente buscando novos mercados para compensar a possível redução nas vendas para os Estados Unidos.
Novos Mercados e o Crescimento Chinês
Além da China, países como Alemanha, Itália e Japão continuam sendo importantes compradores do café brasileiro. A China, em particular, tem demonstrado um crescimento notável como mercado consumidor nos últimos anos, ocupando atualmente a sexta posição entre os maiores importadores de café do Brasil. O governo chinês tem facilitado esse crescimento, autorizando novas empresas a importar café brasileiro. Em junho, o Brasil exportou 440 mil sacas de café para os Estados Unidos, um volume quase oito vezes maior do que as 56 mil sacas vendidas para a China. No entanto, as vendas para os EUA representaram mais de 16 bilhões de dólares este ano, enquanto as vendas para a China somaram pouco mais de 2 bilhões e 600 mil.
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Consumo e Perspectivas Futuras
Luiz Bueno de Camargo Jr., empresário da região de Franca, ressalta que, mesmo com a expansão, a relação comercial entre Brasil e China pode não alterar significativamente o nível de vendas a curto prazo, devido ao baixo consumo per capita de café na China. Ele aponta que o consumo chinês é de aproximadamente 736 gramas por pessoa ao ano, enquanto no Brasil esse número chega a 5 quilos. No entanto, há um aumento gradual no consumo de café na China, impulsionado pela geração de millennials, que estão adotando o café em detrimento do tradicional chá. Apesar desse crescimento, Camargo Jr. duvida que a China consiga suprir, no curto prazo, a lacuna deixada pela possível redução nas importações americanas.
O cenário do mercado de café apresenta desafios e oportunidades para o Brasil, com a necessidade de diversificar seus mercados e acompanhar o crescimento do consumo em países como a China.