Nesta segunda-feira (22) é celebrado o ‘Dia Mundial Sem Carro’
Hoje, 22 de setembro, celebra-se o Dia Mundial Sem Carro, e Ribeirão Preto se junta a esse movimento global. A iniciativa visa promover uma reflexão sobre o uso excessivo de veículos automotores e seus impactos no meio ambiente, na mobilidade urbana e na qualidade de vida nas cidades. A proposta central é simples: deixar o carro em casa e experimentar outras formas de locomoção, como caminhar, pedalar, utilizar o transporte coletivo ou até mesmo compartilhar caronas.
Em Ribeirão Preto, a data é marcada por ações educativas e simbólicas que reforçam a importância de repensar a mobilidade urbana e incentivar hábitos mais sustentáveis no dia a dia. A discussão sobre a mobilidade urbana e o futuro da ocupação do espaço na cidade ganha destaque.
O Desafio dos Ciclistas
Ciclistas frequentemente enfrentam desafios. Renato Rodrigues, cicloativista, compartilha suas perspectivas sobre as dificuldades enfrentadas e a importância de repensar a mobilidade:
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“Pensar no Dia Mundial Sem Carro é crucial, pois abre um leque de possibilidades. Se, neste 22 de setembro, considerarmos um meio alternativo para ir ao trabalho, faculdade, levar os filhos à escola ou ir à academia, podemos descobrir oportunidades valiosas. Talvez exista um ponto de ônibus perto de casa que nunca notamos, ou um ponto próximo ao trabalho, faculdade ou escola dos filhos. Experimentar algo novo pode ser muito útil.”
Renato ainda complementa, “Podemos aproveitar este dia para refletir sobre alternativas de deslocamento menos poluentes e impactantes para as cidades. Às vezes, a bicicleta é uma opção viável, mesmo em trajetos com subidas, utilizando vias paralelas mais tranquilas e arborizadas. É importante pensar no Dia Mundial Sem Carro para expandir as possibilidades e buscar formas de deslocamento que tornem a cidade mais humana, saudável e menos poluída.”
Desafios da Mobilidade Urbana em Ribeirão Preto e Além
Para aprofundar a discussão, Anderson Manzoli, engenheiro civil com mestrado e doutorado em transportes, compartilha sua visão sobre os desafios da mobilidade urbana:
“O problema não é exclusivo de Ribeirão Preto, sendo comum em grandes centros. Ao abordar o trânsito, é essencial considerar três pilares: infraestrutura pública, veículos e pessoas. A integração desses elementos resulta em um trânsito melhor. A infraestrutura, infelizmente, é focada no carro, carecendo de calçadas adequadas, ciclovias e espaços públicos pensados para as pessoas. Essa priorização do carro esvazia o espaço público, incentivando a ocupação desses espaços.”
Anderson ainda ressalta: “Melhorar calçadas e criar ciclovias são essenciais. É preciso repensar a forma como a infraestrutura é construída e incentivar as pessoas a se reconectarem com os espaços públicos. Para isso, é fundamental um transporte público eficiente e acessível, que seja uma alternativa atraente ao veículo individual.”
Ele complementa: “O Dia Mundial Sem Carro é importante para debater o tipo de cidade que queremos e a relação que desejamos ter com os espaços públicos. Precisamos de uma mudança comportamental das pessoas e de um poder público que invista em infraestruturas integrativas que permitam conexões mais humanas.”
Soluções e Exemplos Inspiradores
Questionado sobre possíveis soluções, Anderson sugere:
“Estudos de origem e destino podem identificar polos geradores de demanda e horários de pico. A iniciativa público-privada pode promover horários de abertura escalonados em áreas comerciais para diluir o fluxo de veículos. Melhorar o transporte público também é crucial, evitando a necessidade de rodízio de veículos.”
Sobre exemplos de outras cidades, Anderson destaca:
“Um bom sistema de transporte público, visto como um serviço de qualidade, reduz o número de carros. O poder público deve investir em transporte público, subsidiando-o se necessário, para convencer as pessoas a deixarem seus carros em casa. A economia gerada com a redução da necessidade de infraestrutura e a melhoria da qualidade de vida compensam o investimento.”
O Papel da População e a Redescoberta da Cidade
Anderson finaliza com um chamado à ação:
“É fundamental ocupar novamente os espaços públicos. Em vez de usar o carro para ir à padaria a poucas quadras, caminhe ou use bicicleta. Redescobrir o modal pedestre é importante, mas requer calçadas adequadas. O poder público deve cobrar a melhoria das calçadas e oferecer subsídios para isso. Pequenos deslocamentos a pé são benéficos para a saúde. Além disso, é crucial promover a educação no trânsito e a etiqueta nas relações interpessoais.”
Ao invés de focar apenas na frieza do deslocamento motorizado, a data nos convida a repensar a cidade como um espaço de convívio, onde a mobilidade sustentável e o bem-estar coletivo se tornam prioridades.



