Médico oncologista, Diocésio Andrade, fala sobre as causas dessa doença, seus sintomas e tratamentos; confira
Maio é um mês dedicado à conscientização sobre o câncer de ovário, em virtude do Dia Mundial de Combate à doença, celebrado anualmente. Essa data serve como um alerta não apenas para este tipo de tumor, mas também para outros cânceres ginecológicos, como os de corpo e colo de útero.
Tipos de Tumores Ginecológicos
O aparelho reprodutor feminino engloba o útero e os ovários. O útero, por sua vez, é dividido em corpo (a parte maior) e colo (a parte inferior). O câncer pode afetar qualquer uma dessas três regiões: colo do útero, corpo do útero e ovário. Cada um apresenta características e fatores de risco distintos.
Causas e Fatores de Risco
A principal causa do câncer de colo de útero é a infecção pelo HPV (papilomavírus humano), um vírus transmitido sexualmente. A vacinação contra o HPV em meninas de 9 a 14 anos é uma forma de prevenção primária, enquanto o exame de Papanicolaou (preventivo) permite a detecção precoce de lesões pré-cancerosas. O câncer de corpo de útero (endométrio) acomete geralmente mulheres após a menopausa, e um dos principais sintomas é o sangramento vaginal após a cessação da menstruação. Já o câncer de ovário, infelizmente, não possui métodos preventivos eficazes. A detecção precoce se baseia na observação de sintomas como inchaço abdominal, sensação de empachamento e infecções urinárias recorrentes.
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A hereditariedade também desempenha um papel importante, especialmente no câncer de ovário, onde mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão associadas a um risco aumentado. O câncer de endométrio também apresenta predisposição genética, relacionada a síndromes como a Lynch. O câncer de colo de útero, por sua vez, tem pouca relação com fatores hereditários.
Fertilidade e Tratamento
A infertilidade é uma possibilidade em casos de câncer ginecológico, mas a probabilidade varia de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e o tratamento realizado. Em alguns casos de câncer de endométrio e colo de útero em estágios iniciais, a preservação do útero ou de parte do colo pode ser possível, permitindo a gravidez futura. No entanto, no caso do câncer de ovário, a preservação da fertilidade é mais difícil.
A remoção profilática do útero não é recomendada como forma de prevenção do câncer, a menos que haja predisposição genética, como na síndrome de Lynch. Já a remoção dos ovários, trompas e mamas pode ser indicada em casos de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, considerando o histórico familiar. Miomas uterinos, na grande maioria dos casos, não se transformam em câncer. A detecção precoce e o acompanhamento médico regular são cruciais para o diagnóstico e tratamento eficazes do câncer ginecológico.



