Jornalista Adriana Silva, conta relatos de trabalho escravo, no passado, em Ribeirão Preto; ouça a coluna desta segunda-feira
Abolição da escravatura em Ribeirão Preto e região: vestígios históricos
Em 13 de maio, data em que se celebra a abolição da escravatura no Brasil, é importante refletir sobre a presença da escravidão em diferentes regiões do país. Em Ribeirão Preto, embora o período escravocrata não tenha sido tão extenso ou massivo quanto em outras localidades, a atividade cafeeira contou com mão de obra escravizada. Apesar da escassez de registros físicos diretos, alguns vestígios permanecem, como um conjunto de peças no Museu do Café que remetem às condições de vida dos escravizados nas fazendas da região.
A Colônia Preta de Sertãozinho: um legado de resistência
Para além das marcas da escravidão nas fazendas cafeeiras, a região de Ribeirão Preto também abriga a Colônia Preta, localizada no distrito de Cruz das Posses, em Sertãozinho. Este espaço, cedido pelo Coronel Francisco Schmidt após o fim da escravidão, serviu como local de produção e moradia para ex-escravizados e suas famílias. O relato de Dona Maria, última neta de escravizados da região (in memorian), preserva a memória da construção e do significado da Colônia Preta, destacando a importância do local como um símbolo de resistência e reconstrução após a abolição.
Vestígios arquitetônicos e a importância da linguagem
Além da Colônia Preta, outros resquícios da escravidão podem ser encontrados na arquitetura de algumas fazendas da região, como em Salis Oliveira, onde ainda é possível identificar os locais onde viviam os escravizados. A preservação desses espaços é fundamental para a construção de uma memória mais completa e justa sobre esse período da história. A escolha cuidadosa da linguagem também se mostra crucial nesse contexto. A pesquisadora Adriana Silva ressalta a importância de usar o termo “escravizados” em vez de “escravos”, pois o primeiro termo enfatiza a ação do sistema opressor, enquanto o segundo pode sugerir uma aceitação passiva da condição de escravidão. A mudança de linguagem contribui para uma compreensão mais precisa e sensível dos eventos históricos e da experiência das pessoas que foram submetidas à escravidão.
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A preservação da memória da escravidão em Ribeirão Preto e região exige um olhar atento aos poucos vestígios materiais e imateriais que restaram, bem como uma reflexão contínua sobre a importância da linguagem na construção de narrativas históricas mais justas e representativas.