Prática impacta no desenvolvimento de diversas doenças; oncologista Diocésio Andrade fala dos riscos à saúde
O dia 31 de maio é marcado mundialmente como o Dia Mundial sem Tabaco, Nesta sexta-feira (31) é comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco, uma data dedicada à conscientização sobre os riscos do tabagismo e seus impactos na saúde pública. A campanha tem como objetivo alertar a população sobre os malefícios do consumo de tabaco, que é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer e outras doenças graves.
O tabagismo e seus impactos na saúde
O tabaco está diretamente relacionado a uma série de doenças, especialmente cânceres. Segundo o oncologista Dr. Diocésio Andrade, da Unconclínicas em Ribeirão Preto, o câncer de pulmão é o mais conhecido entre os relacionados ao tabagismo, mas existem outros tumores associados, como os de cabeça e pescoço, incluindo lábio, boca e garganta, além de câncer de esôfago, estômago e bexiga. Este último ocorre porque os carcinógenos presentes no tabaco são metabolizados e eliminados pela urina, expondo a mucosa da bexiga a substâncias cancerígenas.
Além dos cânceres, o tabagismo é um dos principais fatores para doenças cardiovasculares. Ele contribui para o aumento da pressão arterial, eleva o risco de acidentes vasculares cerebrais (AVCs) isquêmicos e hemorrágicos, e está associado a doenças vasculares periféricas que podem levar à amputação. Dessa forma, o tabagismo está diretamente ligado aos dois grupos de doenças mais prevalentes no mundo: as cardiovasculares e os tumores malignos.
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Cigarro eletrônico: um novo desafio: Embora o consumo do cigarro tradicional tenha diminuído nas últimas décadas, o uso do cigarro eletrônico, também conhecido como vapor, tem crescido e representa um novo desafio para a saúde pública. Dr. Diocésio alerta que, apesar da falta de dados conclusivos, o cigarro eletrônico pode causar danos iguais ou até maiores que o cigarro convencional. Isso porque o uso contínuo do vapor ao longo do dia pode aumentar a exposição a carcinógenos, já que o usuário não precisa interromper o consumo como no cigarro tradicional.
Outro ponto preocupante é a popularização do cigarro eletrônico entre crianças e adolescentes, principalmente meninas a partir dos 13 anos, que têm aumentado o consumo de tabaco e álcool, conforme dados compartilhados pelo cardiologista Dr. Fernando Nobre. A ausência do cheiro característico do cigarro tradicional dificulta a identificação do uso do vapor em ambientes fechados, como escolas e restaurantes, o que pode facilitar o início precoce do vício.
Avanços e desafios na prevenção: Nas últimas décadas, o Brasil tem registrado uma redução significativa no número de fumantes, resultado de políticas públicas eficazes, como a proibição de propaganda de cigarros em veículos de comunicação e a inclusão de advertências nas embalagens. Essas medidas contribuíram para uma queda expressiva do tabagismo desde o início dos anos 2000 até 2020, conforme estudos do Ministério da Saúde.
Entretanto, o crescimento do uso do cigarro eletrônico exige novas estratégias de controle. Recentemente, uma audiência pública reafirmou a proibição da comercialização do cigarro eletrônico no país, reforçando que o dispositivo é considerado uma droga e não está autorizado para venda no Brasil.
Importância da conscientização contínua: O oncologista destaca a importância do papel da imprensa na disseminação de informações sobre os riscos do tabagismo, incluindo o uso do cigarro eletrônico. O Dia Mundial sem Tabaco serve para lembrar a população sobre os perigos associados ao consumo dessas substâncias e incentivar a adoção de hábitos saudáveis.
Dr. Diocésio ressalta que o tabagismo é possivelmente o maior malefício evitável que uma pessoa pode escolher não praticar, reforçando a necessidade de políticas públicas e ações educativas contínuas para reduzir o impacto dessa epidemia na saúde pública.
Informações adicionais
O Ministério da Saúde do Brasil mantém campanhas e dados atualizados sobre o tabagismo, incluindo informações sobre o impacto do cigarro eletrônico. A proibição da comercialização do cigarro eletrônico visa proteger a população, especialmente os jovens, dos riscos associados a essa nova forma de consumo de nicotina.



