Sobre a importância da comunicação não-violenta com essas pessoas, ouça a entrevista com a professora Luciana Morilas
Neste Dia dos Avós, uma questão crucial ganha destaque: a violência contra idosos, muitas vezes praticada dentro do próprio lar. Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos apontam que, de janeiro a junho de 2022, mais de 35 mil denúncias de violação de direitos humanos contra idosos foram registradas, com mais de 87% dos casos ocorrendo em ambiente familiar, e os filhos como principais agressores.
A raiz da violência familiar contra idosos
Para entender esse cenário, conversamos com Luciana Romano-Morillas, especialista em comunicação não violenta e professora da USP de Ribeirão Preto. Segundo Luciana, a diferença entre gerações é um grande gatilho. A perda de agilidade física e cognitiva natural do envelhecimento, muitas vezes, não encontra paciência nas gerações mais jovens. Somado a isso, o individualismo da sociedade moderna leva a uma falta de atenção às necessidades dos idosos, que se tornam ainda mais vulneráveis pela relação afetiva com os agressores, muitas vezes seus próprios filhos.
As violências além da agressão física
A violência contra idosos não se limita à agressão física. A pandemia, inicialmente um período de maior cuidado com os idosos, parece ter dado lugar a uma diminuição da atenção após a retomada das atividades. A especialista destaca que ações como isolar o idoso, privá-lo do convívio social, ou negligenciar suas necessidades básicas, também são formas graves de violência. A recente mudança no nome da legislação, de “Estatuto do Idoso” para “Estatuto da Pessoa Idosa”, reforça a importância de reconhecer o idoso como um indivíduo com direitos e vontades próprias, e não apenas como alguém limitado pela idade.
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Prevenção através da comunicação não violenta
A comunicação não violenta surge como ferramenta fundamental para a prevenção. Luciana explica que, em vez de julgar, é preciso observar os fatos com empatia, entender as próprias reações emocionais e agir de forma consciente. A especialista recomenda a leitura do livro de Marshall Rosenberg sobre o tema, disponível em diversas plataformas. Ao compreender as próprias emoções e reações, podemos construir relacionamentos mais saudáveis e respeitosos, evitando a violência em todas as suas formas. A conscientização e a aplicação da comunicação não violenta são passos cruciais para um convívio mais harmonioso e respeitoso com os nossos idosos.



