Segundo Alexandre Crippa a iniciativa facilita o acesso ao princípio ativo que ajuda no tratamento de diversas doenças
O governo paulista sancionou uma lei que garante o fornecimento gratuito de medicamentos à base de cannabis via SUS. Essa medida representa um avanço significativo para pacientes com doenças como dores neuropáticas e epilepsia, que antes enfrentavam dificuldades de acesso devido ao alto custo do tratamento (cerca de R$ 1.500, podendo variar).
Contexto Histórico e Acesso à Cannabis Medicinal
Em 2015, a Anvisa autorizou a importação de canabidiol (CBD) no Brasil. Anteriormente, o acesso a medicamentos à base de CBD dependia de decisões judiciais individuais, dificultando o acesso para muitos pacientes. Pesquisas comprovam a eficácia do CBD no tratamento de diversas condições, incluindo autismo, síndromes raras, epilepsia, Alzheimer e outras.
A Importância da Nova Legislação
De acordo com o Dr. Alexandre Cripa, médico psiquiatra, neurocientista e professor da USP de Ribeirão Preto, a nova legislação garante maior acessibilidade ao CBD, especialmente para crianças e adolescentes que antes precisavam recorrer à justiça. A regulamentação também permite ao governo controlar a qualidade dos produtos e viabiliza estudos de longo prazo sobre a eficácia e segurança do tratamento. A padronização dos produtos é crucial, pois muitas vezes os médicos não sabem exatamente como prescrever devido à variabilidade dos produtos disponíveis no mercado.
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Produção e Composição do Canabidiol
O Dr. Cripa explica que o canabidiol (CBD) é uma das 500 substâncias presentes na planta Cannabis sativa. É importante diferenciar o CBD do THC (tetraidrocanabinol), o componente psicoativo da maconha. O CBD não causa os efeitos psicoativos associados ao uso recreativo da maconha. Atualmente, os insumos para a produção de CBD são importados, mas algumas empresas brasileiras já realizam a produção local, inclusive a síntese do composto. O CBD é geralmente formulado em óleo (de milho ou coco, por exemplo), pois os canabinoides são melhor absorvidos dessa forma. A regulamentação garante a rastreabilidade e a qualidade dos produtos, assegurando que os pacientes recebam medicamentos seguros e eficazes.
A nova lei representa um avanço considerável, permitindo maior acesso ao tratamento, melhorando a qualidade dos medicamentos disponíveis e estimulando novas pesquisas. A expectativa é que essa iniciativa inspire outros estados a adotarem medidas semelhantes, expandindo o acesso a tratamentos eficazes para diversas doenças.



