Os altos índices de chuva no começo do ano encheram a represa de furnas, que teve que abrir suas comportas
Apesar da estiagem prolongada, o Rio Grande surpreende com nível acima do normal, causando impactos positivos e negativos.
Rio Grande: Cheio em meio à seca
A cena é inusitada: enquanto a seca castiga boa parte do país, o Rio Grande, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, apresenta-se com um volume de água 8 metros acima da capacidade na ponte que liga os dois estados. Para pescadores como Seu Newton, a situação é benéfica, permitindo uma pesca farta de piaus. “O rio cheio assim nessa época é uma surpresa”, comenta o pescador, referindo-se à abundância de peixes.
Impactos da cheia
A situação, porém, não é positiva para todos. O alto nível da água impede a navegação de embarcações sob a ponte, impossibilitando o acesso de pescadores a pontos estratégicos de pesca. Adriano dos Santos relata: “A água já tá no limite, impossível transitar entre os estados”. A pescadora Valzene Andrade reforça a dificuldade, afirmando que a pesca está comprometida pela impossibilidade de acessar áreas importantes de pesca. A cheia, portanto, enquanto agrada alguns pescadores, prejudica aqueles que dependem do rio para seu sustento.
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Entendendo o fenômeno
As fortes chuvas do início do ano na região encheram a represa de Furnas, que abriu as comportas, elevando o nível do Rio Grande. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) explica que o armazenamento de água contribui para a geração de energia durante a estiagem. A bióloga Maria Inácia Freitas prevê uma diminuição gradual do nível do rio nos próximos meses, retornando aos níveis normais em novembro. Apesar do benefício para a geração de energia, a cheia excepcional preocupa quem vive da pesca, impactando diretamente sua renda e segurança.



