Estiagem na região acende o alerta para a possibilidade de uma crise hídrica e o desabastecimento nas cidades
A região de Ribeirão Preto, Nível do Rio Pardo está na metade do registrado no mesmo período do ano passado, Barretos e Franca enfrenta uma estiagem prolongada que tem causado impactos severos no meio ambiente e na economia local. Além da baixa umidade do ar e da poluição provocada pela fumaça nas cidades, a falta de chuvas tem reduzido significativamente o nível dos rios, comprometendo atividades como a navegação e a pesca.
Na quinta-feira, o rio Pardo, um dos principais corpos d’água da bacia hidrográfica da região, registrou um volume equivalente à metade do que foi medido no mesmo período do ano anterior. Esse rio é fundamental para diversas cidades, incluindo Serranial e Tinnópolis, onde moradores e trabalhadores ribeirinhos demonstram preocupação com a situação.
Impactos da estiagem no rio Pardo
O baixo nível do rio Pardo tem afetado diretamente os rancheros e pescadores locais. Em alguns trechos, é possível enxergar o fundo do rio, antes coberto pela água, e até mesmo caminhar por áreas que costumavam estar submersas. Marco César Borges, ranchero da região, relata que o volume da água está pelo menos um metro abaixo do normal, comprometendo pontos tradicionais de pesca e dificultando a navegação dos barcos.
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“Está muito baixo. É muito triste, isso ocorre em vários trechos, em alguns, até tem um fio d’água mesmo nessas condições. Aí o pessoal está preocupado lá, principalmente os pescadores, que não conseguem navegar e acabam tendo que usar os barrancos”, afirmou Borges.
Adaptação dos pescadores e preocupações locais: Maurício, pescador de Ribeirão Preto, explica que a diminuição do volume do rio o obriga a buscar áreas com água mais profunda próximas aos barrancos para conseguir capturar peixes. Ele destaca que a situação atual é preocupante e que, caso as chuvas não retornem em breve, a condição do rio pode piorar ainda mais.
“A gente costuma falar só o cabelinho, e o resto fica submerso. Só que diante da condição que está atrásra, essa falta de chuva, o nível vai baixando. Eu acredito que se não chover logo, vai piorar. Aí todo mundo fica com essa preocupação de piorar ainda mais essa condição de estiagem”, disse Maurício.
Contexto climático e previsão para a região: Já são mais de quatro meses sem chuvas significativas na região, com a última precipitação relevante registrada em 17 de abril. Em pontos como a antiga linha do trem na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, bancos de rocha que antes ficavam submersos estão atrásra expostos, evidenciando a gravidade da seca. As previsões meteorológicas indicam que não há expectativa de chuvas volumosas nas próximas semanas, o que agrava o cenário.
Consequências ambientais e socioeconômicas: A seca prolongada não afeta apenas o volume dos rios, mas também a fauna e a flora locais. Em Jalidnópolis, moradores relataram os danos causados pelas queimadas e incêndios em áreas de mata ciliar próximas ao rio Pardo, o que contribui para a degradação ambiental e compromete a qualidade da água.
A produção e reprodução de peixes, atividades essenciais para a economia local, também estão ameaçadas pela baixa do nível dos rios. Como o rio Pardo deságua no rio Grande, a estiagem pode afetar outros afluentes da região, ampliando o impacto da seca.
Informações adicionais
Os efeitos da estiagem prolongada são sentidos em múltiplos setores, desde a agricultura até o abastecimento público. A falta de chuvas e a baixa umidade do ar também contribuem para o aumento da poluição e da incidência de queimadas, agravando as condições ambientais e de saúde pública.



