Mulher de 51 anos morreu sexta, com meningite, após ter passado três vezes pela UBDS Central e receber tratamento para sinusite
Duas mortes recentes em unidades de saúde do município reacenderam o debate sobre a qualidade do atendimento público e a responsabilidade médica. Os casos de Márcia Orlando Passos e Fernando Garcia expõem falhas no sistema e geram questionamentos sobre negligência médica.
A morte de Márcia Orlando Passos
Márcia, de 51 anos, faleceu devido a meningite após passar por três atendimentos na Unidade Básica Distrital de Saúde do Centro da cidade, onde foi diagnosticada com sinusite. Seu filho, Tiago Orlando Tosta, relata que a demora no encaminhamento ao Hospital das Clínicas, após mais de oito horas de espera na UBS, pode ter sido crucial. Segundo especialistas do Hospital das Clínicas, um atendimento mais rápido poderia ter revertido o quadro. Tiago pretende acionar o Conselho Regional de Medicina para investigar possível erro médico, buscando mudanças no sistema de saúde e não necessariamente punição individual.
A morte de Fernando Garcia
Fernando Garcia, de 55 anos, morreu em decorrência de uma infecção renal após receber diagnósticos equivocados por quatro vezes na UPA da Avenida 13 de Maio. Os diagnósticos errôneos incluíam gases, má digestão, pedra no rim e crise depressiva, enquanto a verdadeira causa da sua piora, uma infecção renal, não foi detectada. Seu filho, Fernando Garcia Filho, ingressou com processo por danos morais contra a prefeitura e o médico responsável, Manuel Brito Burgos, que também é réu em outra ação por morte de uma paciente em 2007. O médico, que realizou um plantão de 36 horas – prática proibida pelo Conselho Regional de Medicina –, continua atendendo na UPA através de convênio com uma universidade particular. A família questiona a responsabilidade da prefeitura por não tomar medidas após erros médicos anteriores.
Leia também
Reflexões sobre os casos
Os casos de Márcia e Fernando evidenciam a necessidade urgente de melhorias no sistema de saúde pública. A humanização do atendimento, a agilidade no diagnóstico e a responsabilização por erros médicos são pontos cruciais a serem revisados. A busca por justiça pelas famílias das vítimas também destaca a importância da investigação rigorosa de casos de suspeita de negligência médica e a adoção de medidas preventivas para evitar novas tragédias.



