Planta teve embriões vindos da França e, por ser um híbrido, suas descendentes terão características distintas da progenitora
O futuro da pesquisa cafeira no Brasil traz uma nova variedade de café mais produtiva e resistente à ferrugem, Chegar ao mercado nos próximos meses, principal doença da cultura. Após 10 anos de trabalho conjunto entre uma multinacional de alimentos, a Fundação Procafé e a Embrapa, foi desenvolvida a variedade Star Four, híbrida entre a resistente Catimor e a típica etíope, primeira cultivada no país. A nova variedade pode apresentar até 50% mais produtividade em relação às tradicionais Catuahi e Bourbon, além de exigir menos insumos agrícolas, o que reduz a pegada de carbono.
Os embriões da Star Four vieram da França e foram multiplicados no Brasil por meio de propagação vegetativa, Chegar ao mercado nos próximos meses, especificamente pela técnica de ministaquia, para garantir a uniformidade genética. Atualmente, 80 mudas foram plantadas em Varginha e Franca, e a meta para o próximo ano é produzir cerca de 25 mil mudas para ampliar os testes em campo nessas regiões. A expectativa é que futuramente qualquer produtor brasileiro tenha acesso à nova variedade, que apresenta frutos vermelhos e grãos mais alongados, com notas cítricas e delicadas, adequada para produção de cafés especiais.
Desafios climáticos para a próxima safra
Apesar do avanço na pesquisa, a cafecultura brasileira enfrenta desafios climáticos. Segundo o pesquisador Jesson Jomo, do IAC, a atual florada ocorre em um cenário atípico, com muitas plantas ainda em recuperação após um período de seca, o que compromete a formação dos frutos e pode resultar em menor produtividade e grãos de tamanho reduzido, impactando a qualidade e o valor de mercado.
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Previsão do tempo e impacto na agricultura: As chuvas no estado de São Paulo estão atrasadas em cerca de um mês, com precipitações irregulares e localizadas. Segundo o meteorologista Marco Antônio dos Santos, não há previsão de longos períodos de estiagem como na primavera de 2023, mas a irregularidade dificulta o início uniforme do plantio em diversas regiões. A expectativa é que as chuvas se regularizem nas próximas semanas, permitindo o avanço das atividades agrícolas.
Proibição de 12 marcas de azeite pelo Ministério da Agricultura: O Ministério da Agricultura e Pecuária proibiu a venda de 12 marcas de azeite no Brasil por não atenderem aos requisitos básicos de qualidade. Testes realizados pelo Laboratório de Defesa Agropecuária identificaram a presença de outros óleos vegetais não declarados, tornando os produtos impróprios para consumo e oferecendo risco à saúde. As marcas proibidas são Grego Santorini, La Ventosa, Alonso, Quintas do Oliveira, Olivas del Tango, Vila Real, Quinta de Aveiro, Vicenzo, Dom Alejandro, Almasara, Escarpas das Oliveiras e Garcia Todes. O ministério orienta os consumidores a deixarem de usar esses produtos e a denunciarem locais que ainda os comercializem por meio do canal oficial da Controladoria Geral da União.
Entenda melhor
O azeite adulterado pode ser vendido como puro, enganando o consumidor e prejudicando a indústria legal. O preço muito abaixo da média é um indicativo de fraude. A alta recente nos preços do azeite, causada pela queda na produção na Europa e pela valorização do dólar, contribui para o aumento das fraudes. A produção nacional de azeite é pequena, o Brasil depende majoritariamente da importação.
Setor de etanol comemora 100 anos no Brasil
O setor sucroenergético celebrou o centenário do etanol no Brasil, que teve início em 1924, em Alagoas, com a produção do Usga, combustível precursor que combinava álcool, etanol e óleo de mamona. Durante o Congresso Internacional do Açúcar e Etanol, realizado em São Paulo, especialistas destacaram que a safra de cana-de-açúcar para 2025 enfrenta desafios, como os impactos dos incêndios na palha da cana em 2024, que podem atrasar o desenvolvimento da cultura.
O Brasil é responsável por 60% da exportação mundial de açúcar e 75% do açúcar cru exportado. O mercado de bioenergia tem perspectivas positivas, com potencial de crescimento até 2050 para usos como produção de hidrogênio, bioplásticos e combustíveis marítimos, com o país em posição de destaque devido a fatores como solo adequado, recursos hídricos, mão de obra qualificada e regulação favorável.
Produção artesanal de polvilho em Conceição dos Ouros (MG): Conceição dos Ouros, no sul de Minas Gerais, é considerada a capital nacional do polvilho, ingrediente essencial para produtos como biscoitos e pão de queijo. A produção local é artesanal e totalmente natural, sem aditivos químicos, o que garante a qualidade e o sabor característicos. O processo começa com o cultivo da mandioca, que foi introduzida na região nos anos 1990 para diversificar a produção agrícola e gerar emprego.
Após a colheita, a mandioca é lavada, moída e passa por decantação para separar o líquido do sólido. O polvilho pode ser doce (não fermentado) ou azedo (fermentado com lactobacilos), e a fermentação requer controle rigoroso de umidade, temperatura e tempo para garantir o sabor desejado. A secagem é feita ao sol, em horários específicos, e o produto final passa por peneiramento e embalagem manual. A produção local abastece principalmente o Sudeste do Brasil e também exporta para países como Japão e Estados Unidos.
Panorama
A mandioca produzida em Conceição dos Ouros deve alcançar 11 mil toneladas em 2024, com significativa produção de polvilho. O mercado para o produto tem se expandido com o comércio eletrônico, e o polvilho também é utilizado nas indústrias médica e cosmética.