Novas tarifas estadunidenses a produtos brasileiros passam a valer neste quarta-feira (6)
A tão aguardada data chegou: entraram em vigor nesta quarta-feira as tarifas de importação de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, oficializada por decreto do presidente Donald Trump, adiciona uma tarifa de 40% a produtos já sujeitos a uma taxa de 10%. No entanto, uma extensa lista de exceções inclui itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e peças, fertilizantes e produtos energéticos.
O Impacto da Tarifa e as Exceções
A grande questão é: essa medida é benéfica ou prejudicial? Inicialmente, é crucial entender que, embora alguns produtos tenham sido isentos da tarifa adicional de 40%, a taxa inicial de 10% ainda se aplica. Por exemplo, o suco de laranja escapou dos 40% extras, mas permanece sujeito aos 10%. Em contrapartida, setores como o de café e a indústria calçadista enfrentarão uma taxação total de 50%.
Critérios de Escolha e o Impacto Político
O critério adotado pelo governo americano para definir quais produtos seriam tarifados ou isentos parece estar diretamente ligado ao impacto sobre o consumidor americano, que também é eleitor. A lógica é avaliar a facilidade de substituir o Brasil como fornecedor. No caso do suco de laranja, a substituição é considerada difícil, o que justifica a isenção da tarifa adicional. Já para o café e a indústria calçadista, a possibilidade de buscar fornecedores alternativos, como Vietnã e Colômbia, influenciou a decisão de manter a taxação.
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Insegurança Jurídica e o Papel da OMC
A medida de Trump levanta preocupações sobre a segurança jurídica nas relações comerciais internacionais. A falta de respeito às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) agrava essa insegurança, dificultando decisões de investimento de longo prazo para empresas. O caso da Apple, que transferiu sua produção da China para a Índia apenas para enfrentar novas tarifas, ilustra esse problema.
Impactos no Câmbio e na Logística
A redução nas exportações brasileiras, resultante das tarifas, pode levar a uma diminuição na entrada de dólares no país, pressionando o câmbio e potencialmente gerando inflação. Além disso, a tarifa pode encarecer o frete marítimo, elevando os custos logísticos de forma geral.
Reflexos no Mercado Interno Brasileiro
No curto prazo, o mercado interno pode se beneficiar de uma oferta maior de produtos, levando a uma possível queda nos preços. No entanto, a longo prazo, essa situação pode desincentivar a produção, resultando em menor oferta e, consequentemente, em um novo aumento da inflação.
Em resumo, a imposição de tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gera uma série de incertezas e desafios, tanto para os exportadores quanto para o mercado interno.