Um novo laudo do IML (Instituto Médico Legal) revelou que uma paciente da dentista Fernanda Borges correu risco de morte e agora apresenta sequelas permanentes. Silvia Maria Cândido, de 63 anos, passou por procedimentos de rejuvenescimento facial em setembro do ano passado.
O que deveria ser uma intervenção estética resultou em dez dias de internação na UTI, sendo seis deles com a paciente entubada. O documento do IML, concluído em janeiro, aponta lesões corporais de natureza gravíssima e deformidade estética permanente.
Os peritos destacaram ainda que houve perigo real de vida devido a lesões internas e dificuldades de movimentação no pescoço. Além de Silvia, pelo menos outras cinco vítimas já procuraram a Polícia Civil para denunciar a profissional.
Exercício ilegal
O laudo atual foi realizado diretamente na vítima, confirmando cicatrizes e hematomas que já constavam no prontuário médico. Segundo o advogado Leonardo Pontes, que não tem relação com o caso, o documento reforça a tese de crime grave.
“O laudo traz agora uma avaliação realizada diretamente na pessoa da vítima. O médico pôde constatar cicatrizes, hematomas e o enquadramento da conduta, muito provavelmente, como lesão corporal de natureza gravíssima”, explica Pontes.
Leia também
O advogado ressaltou ainda que os procedimentos realizados não parecem ser atribuição de uma odontóloga. “Aponta também para o exercício ilegal da profissão, tendo em vista que os procedimentos realizados não parecem ser de atribuição própria”, detalha.
Possíveis penas
A clínica da dentista já foi interditada pelas autoridades devido a irregularidades encontradas. Caso seja condenada por lesão corporal gravíssima, a pena pode variar de dois a oito anos de reclusão.
“Se o promotor entender que houve mais de um crime, talvez além da lesão corporal gravíssima o exercício ilegal da profissão, essa pena mínima pode passar de quatro anos”, afirma Leonardo Pontes.
A defesa de Fernanda Borges sustenta que ela possuía autorização legal para realizar os procedimentos. O caso também foi encaminhado ao CRO (Conselho Regional de Odontologia), que colabora com as investigações policiais.


