CBN Ribeirão 90,5 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Novo normal? 629 mulheres foram mães com mais de 40 anos em Ribeirão

Quem analisa as possíveis justificativas para essa tendência é o sociólogo Wlaumir Souza; dados são do IBGE
Novo normal? 629 mulheres foram mães
Quem analisa as possíveis justificativas para essa tendência é o sociólogo Wlaumir Souza; dados são do IBGE

Quem analisa as possíveis justificativas para essa tendência é o sociólogo Wlaumir Souza; dados são do IBGE

Em Ribeirão Preto, mudanças nos padrões de maternidade e família aparecem com destaque na última década: enquanto mais mulheres têm filhos após os 40 anos, o número de nascimentos entre adolescentes registra queda e os divórcios têm superado os casamentos.

Mais mães depois dos 40

Dados do censo apontam que 629 moradoras da cidade tiveram filhos aos 40 anos ou mais. Clínicas de reprodução assistida também registram um movimento claro: uma unidade local afirma atender cerca de 90 mulheres por mês que procuram congelamento de óvulos. Segundo o embriologista Marcelo Bufato, o perfil das pacientes mudou ao longo dos últimos dez anos. “Há uma década, a maior parte do público tinha entre 20 e 35 anos. Hoje, atendemos majoritariamente pacientes acima dos 35 anos”, diz Bufato, explicando o crescimento da procura por tratamentos de fertilidade e preservação da fertilidade.

Mudanças sociais e queda das gestações na juventude

Enquanto as mães mais velhas aumentaram em número, as gestações entre as mais jovens diminuíram: registros apontam uma queda de 43% nas mulheres que se tornaram mães até os 19 anos. Para o sociólogo Blaumir Souza, a redução das gravidezes na adolescência tem duas consequências relevantes. Em primeiro lugar, a gravidez precoce costumava interromper a escolaridade, já que muitas jovens deixavam a escola para cuidar dos filhos. Em segundo lugar, esse cenário atrasava a entrada no mercado de trabalho e comprometia projetos pessoais e econômicos.

“Quando a jovem engravida na escola, ela frequentemente abandona os estudos e não consegue assumir a carga de trabalho doméstico e os deveres escolares ao mesmo tempo. Isso atrasa sua inserção no mercado e seus planos de vida”, explica Souza.

Divórcio, autonomia e projetos individuais

Ao lado das mudanças demográficas, Ribeirão Preto registra também crescimento nos números de divórcios em relação aos casamentos. O sociólogo relaciona esse movimento à busca por autonomia feminina. “O aumento dos divórcios mostra que a mulher não pode permanecer dependente do marido, apenas cumprindo o papel de esposa e dona de casa. A pensão é temporária; por isso é fundamental que a mulher esteja inserida no mercado de trabalho e tenha um projeto de vida próprio, que vá além do casamento”, afirma Souza.

Na esfera individual, relatos pessoais confirmam percepções positivas sobre a maternidade tardia. A jornalista Tamara Belgamou, que teve a filha Alice aos 40 anos, diz ter se sentido mais tranquila e preparada. “Ser mãe depois dos 40 me deixou muito mais calma. Consigo fazer coisas que não imaginava e recomendo para quem realmente quer ter filhos: vale muito a pena”, conta.

Nos últimos 12 anos, segundo o IBGE, Ribeirão Preto registrou um aumento de pouco mais de 8% no número total de nascimentos. A combinação de índices — crescimento das mães mais velhas, queda das gestações na adolescência e maior número de divórcios — traça um retrato de transformações sociais em curso na cidade, ligadas a educação, mercado de trabalho e decisões reprodutivas.

As mudanças apontam para uma população que redefine tempos de vida e família, enquanto serviços de saúde readequam ofertas e políticas públicas precisam acompanhar os novos desafios e demandas.

Veja também

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.