Estudo com 84 pacientes mostrou eficiência de 96,4% na remissão da doença em três anos; oncologista Carlos Fruet explica
Um estudo publicado na revista The Lancet sugere que parte das pacientes com câncer de mama HER2-positivo pode ser tratada sem quimioterapia, sem prejuízo aos resultados em curto prazo. A pesquisa acompanhou um grupo específico de pacientes e trouxe dados que animam especialistas, mas também pedem cautela até que resultados de estudos maiores sejam confirmados.
O estudo e os resultados
A análise, com pouco mais de 300 pacientes no total, incluiu um subgrupo de 86 mulheres que não receberam quimioterapia. Dessas, 96,4% estavam livres de recidiva do tumor três anos após o tratamento. Os autores destacam que esse achado vale para um quadro clínico restrito: tumores iniciais com expressão da proteína HER2 (HER2-positivo).
Para quem os achados valem e qual foi o tratamento
Segundo o oncologista Carlos Fruete, ouvida pela reportagem, os resultados são promissores, mas aplicáveis apenas a esse subtipo de câncer de mama. “Não podemos generalizar a mensagem para todas as pacientes com câncer de mama”, afirmou. Hoje, muitas pacientes HER2-positivas recebem quimioterapia combinada com terapias anti-HER2 — em particular trastuzumab e pertuzumab. No estudo, algumas pacientes foram tratadas apenas com as drogas anti-HER2, administradas em ciclos (algumas por via subcutânea), evitando assim a maior parte dos efeitos adversos típicos da quimioterapia, como queda de cabelo, náuseas e fadiga.
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Limitações e próximos passos
Fruete ressalta que o número de pacientes ainda é relativamente pequeno quando comparado a estudos mais robustos, que frequentemente reúnem centenas ou milhares de participantes. Por isso, já estão em andamento estudos com amostras maiores para confirmar se é seguro omitir a quimioterapia nesse grupo. Além disso, especialistas lembram que apenas cerca de 20% dos casos de câncer de mama são HER2-positivos, de modo que a quimioterapia permanece essencial para grande parte das pacientes.
Os desfechos em três anos são encorajadores, mas o acompanhamento a cinco e dez anos será importante para avaliar a eficácia a longo prazo. Enquanto isso, médicos recomendam que pacientes mantenham o seguimento clínico regular após o tratamento, independentemente da estratégia adotada.
Em suma, o estudo abre caminho para abordagens menos tóxicas em um grupo selecionado de pacientes com câncer de mama HER2-positivo, mas a adoção ampla da estratégia depende de validação por estudos maiores e de avaliação individualizada por oncologistas.



