No total, são 5.6 milhões de pessoas com mais de 60 anos; principal explicação é o envelhecimento da população
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados do Censo 2022 que mostram um crescimento no número de pessoas que moram sozinhas no Brasil, Novos dados do censo do IBGE, especialmente entre idosos acima de 60 anos. Segundo o levantamento, mais de 13 milhões de pessoas vivem em lares unipessoais, com a maior proporção entre os idosos, que representam 28,7% desse grupo, um aumento em relação aos 21,5% registrados em 2010.
Outras faixas etárias também apresentaram crescimento: crianças e adolescentes até 17 anos correspondem a 7,6% (6% em 2010); jovens de 18 a 24 anos, 17,2% (11,3% em 2010); adultos de 25 a 39 anos, 13,4% (8,3% em 2010); e pessoas entre 40 e 59 anos, 16% (10,5% em 2010).
Perfil dos moradores solos
Entre os motivos que levam idosos a morar sozinhos estão a perda do cônjuge, divórcio ou saída dos filhos de casa. A aposentada Lene Porto, que vive sozinha há 30 anos, exemplifica essa realidade. Ela se mudou do Rio de Janeiro para a região para ficar próxima da filha, mas não cogita morar com outras pessoas, valorizando sua independência.
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“Para mim é uma delícia. Eu gosto, eu tenho meu salário, que é pouco, mas não falta nada. Eu faço minhas orações e sou super bem resolvida nesse sentido. Algumas pessoas me questionam se vou arrumar um marido, e eu respondo que não quero”, disse Lene.
Impactos para políticas públicas e mercado imobiliário: Luiz Godoy, chefe da agência do IBGE, destaca a importância dos dados para a formulação de políticas públicas e para o setor privado. Segundo ele, é necessário que o poder público e empresas ofereçam serviços adequados a essa população, como refeições em porções menores e atendimento de saúde especializado para idosos.
O crescimento dos moradores solos também influencia o mercado imobiliário. Caio Maroni, diretor comercial de uma construtora da região de Ribeirão Preto, afirma que a demanda por apartamentos compactos aumentou, com unidades de cerca de 45 metros quadrados sendo construídas para atender pequenas famílias ou pessoas que vivem sozinhas.
“Em 10 anos, a demanda cresceu 7%. Este ano, 87% das vendas foram para pessoas que moram sozinhas. Incentivos do governo, como financiamento 100% sem entrada e documentação gratuita, têm potencializado essa procura”, explicou Maroni.
Desafios e necessidades: Apesar da maior independência, especialistas ressaltam a necessidade de políticas públicas que garantam acessibilidade e conforto para essa população, especialmente os idosos, que representam a maior parcela dos moradores solos. O envelhecimento da população reforça a importância de adaptar serviços e infraestrutura para atender a essa demanda crescente.
Entenda melhor
O aumento dos lares unipessoais reflete mudanças demográficas e sociais, como o envelhecimento da população, maior independência dos idosos e transformações nas estruturas familiares. Os dados do IBGE são fundamentais para orientar políticas públicas e estratégias do mercado imobiliário que atendam a essas novas configurações familiares.



