Apesar do crescimento, pais ainda apontam preconceito e falta de suporte como problemas recorrentes
O número de alunos com transtorno do espectro autista (TEA) matriculados em escolas regulares no Brasil aumentou 50% em um ano, Número de alunos autistas matriculados em escolas regulares aumentou 50% em 2023, segundo dados do Censo de Educação Básica. Em 2022, aproximadamente 400 mil estudantes com TEA estavam matriculados em instituições de ensino regulares. Em 2023, esse número ultrapassou 600 mil.
Esse crescimento indica avanços na inclusão educacional, mas ainda existem desafios significativos para garantir a efetiva participação desses alunos no ambiente escolar. Pais relatam que o preconceito persiste durante as aulas e que há falta de suporte adequado nas salas de aula para atender às necessidades específicas desses estudantes.
Desafios da acessibilidade nas escolas
A médica psiquiatra Marguerita Midea destaca que a acessibilidade ainda é uma barreira importante para a inclusão de alunos com TEA. Segundo ela, a acessibilidade envolve não apenas a estrutura física das escolas, mas também a adaptação das atividades, o manejo do comportamento das crianças, a comunicação e os instrumentos necessários para garantir uma inclusão efetiva.
Leia também
“Ainda a acessibilidade é uma barreira, né? E quando nós falamos de acessibilidade, nós estamos falando da estrutura física, da estrutura na aplicação das atividades, na questão do comportamento das crianças, na comunicação, nos instrumentos necessários para que elas possam realmente ter uma inclusão efetiva nas escolas e na vida também.”
Comunicação alternativa para alunos não verbais: Marguerita Midea ressalta que grande parte das pessoas com autismo não são verbais, o que exige métodos específicos para facilitar a comunicação entre professor e aluno. Um dos recursos utilizados é o PECS (Sistema de Comunicação por Troca de Figuras), que faz parte da comunicação alternativa e aumentada. Esse método permite que o professor estabeleça um diálogo com a criança, promovendo a participação e o aprendizado.
“Grande parte das pessoas com autismo não são verbais. Então o professor precisa usar de um método, no caso se usa muito o PECS, ou a comunicação alternativa e aumentada, para que o professor possa estabelecer um diálogo com essa criança.”
Preconceito e falta de suporte: Apesar do aumento no número de matrículas, os pais de alunos com TEA relatam que o preconceito ainda é uma realidade nas escolas regulares. Além disso, a falta de suporte especializado e de recursos adequados nas salas de aula dificulta a inclusão plena desses estudantes. A ausência de formação adequada para os professores e a carência de profissionais de apoio são apontadas como fatores que comprometem a qualidade da educação inclusiva.
Importância da educação inclusiva: A inclusão de alunos com transtorno do espectro autista nas escolas regulares é fundamental para garantir o direito à educação e promover a diversidade no ambiente escolar. A adaptação das práticas pedagógicas, a capacitação dos profissionais e a oferta de recursos adequados são essenciais para que esses estudantes possam desenvolver suas potencialidades e participar ativamente da vida escolar.
Entenda melhor
O Censo de Educação Básica é uma pesquisa anual realizada pelo Ministério da Educação que coleta dados sobre a matrícula, infraestrutura, corpo docente e outros aspectos das escolas brasileiras. O aumento no número de alunos com TEA matriculados em escolas regulares reflete mudanças nas políticas públicas e na conscientização sobre a importância da inclusão educacional. No entanto, a efetivação dessa inclusão depende de investimentos em acessibilidade, formação de professores e suporte especializado.



