O número de estudantes matriculados na educação básica em Ribeirão Preto (SP) diminuiu entre 2024 e 2025. De acordo com o Censo Escolar, a cidade registrou quase 3,5 mil alunos a menos nas escolas no período.
Os dados indicam uma queda de cerca de 2,5% no total de matrículas. Em 2024, eram 140.474 estudantes na rede básica e, no ano seguinte, o número passou para cerca de 137 mil.
Entre os fatores apontados para a redução estão a queda da natalidade nos últimos anos e possíveis casos de evasão escolar, principalmente no ensino médio.
Natalidade
Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que o número de nascimentos caiu 13% em cinco anos em Ribeirão Preto. Em 2019, foram registrados 10,4 mil nascimentos, enquanto em 2024 o total caiu para 9.062.
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Para o especialista em educação Antônio Esteca, a redução na taxa de natalidade é um dos principais fatores que ajudam a explicar o cenário observado no Censo Escolar. “Existe um fator ligado à taxa de natalidade que vem caindo ano a ano. Hoje as mulheres estão tendo menos filhos e isso vai refletir no censo, no número de alunos.”
Segundo ele, outro aspecto apontado pelo Ministério da Educação é a diminuição da chamada distorção idade-série, quando alunos estão atrasados em relação à série adequada para a idade.
Evasão
O especialista também aponta que parte da queda nas matrículas pode estar associada à evasão escolar, especialmente no ensino médio. “Quando a gente olha o censo de 2024 para 2025, os alunos que estavam na segunda série do ensino médio e foram para a terceira são bem menos, o que indica evasão.”
Em algumas escolas da cidade, no entanto, a tendência não foi percebida da mesma forma. Na Escola Estadual Guimarães Júnior, localizada na região central, a procura por vagas continua, especialmente por estudantes que precisam conciliar estudo e trabalho.
De acordo com a direção da unidade, o fato de a escola oferecer ensino regular em meio período facilita o acesso de jovens que já estão inseridos no mercado de trabalho.
Mudança
Profissionais da educação também observam mudanças no perfil das famílias e dos estudantes ao longo dos anos. A inspetora de alunos Edna Gregolim, que tem mais de quatro décadas de experiência na área, afirma que a quantidade de estudantes diminuiu nas escolas.
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, no entanto, discorda da análise que relaciona a redução de matrículas à evasão escolar e afirma manter programas voltados à permanência dos alunos nas escolas.



