Alta taxa de juros dos financiamentos é apontado como um dos motivos para maior procura; Luciani Nakabashi comenta
O número de contratos de consórcios imobiliários registrou um crescimento de 30% em 2023 em comparação ao ano anterior, Número de contratos de consórcios imobiliários registra crescimento de 30% em 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Consórcios (ABC). No primeiro semestre deste ano, as vendas aumentaram 26% em relação ao mesmo período de 2022. Esse crescimento é atribuído, em grande parte, à alta taxa de juros dos financiamentos imobiliários, que tem levado consumidores a buscar alternativas de crédito mais acessíveis.
O que é um consórcio?: Luciano Nakabashi, professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP), explica que o consórcio é uma modalidade de compra baseada na associação de pessoas que contribuem mensalmente com parcelas para a aquisição de bens duráveis, como imóveis e automóveis. Uma instituição organizadora administra esse grupo, que realiza sorteios periódicos para contemplar os participantes com uma carta de crédito, permitindo a compra do bem desejado.
“Um consórcio pode ser não só de um imóvel, até mais comum para um automóvel, para outros tipos de bens duráveis. É um conjunto de pessoas onde elas, por exemplo, todos os meses fazem um pagamento de uma parcela e quando você tem vários associados, é possível comprar, seja um automóvel, seja um imóvel, por mês. E aí, uma das pessoas acaba sendo sorteada e acaba tendo acesso à carta de crédito para comprar um imóvel ou um automóvel.”
Vantagens do consórcio em relação ao financiamento
Uma das principais vantagens do consórcio, segundo Nakabashi, é a ausência de juros, característica que o diferencia do financiamento tradicional. No consórcio, os participantes pagam uma taxa de administração à instituição organizadora, que geralmente é inferior aos juros cobrados em financiamentos bancários. Isso torna o custo total da compra potencialmente menor.
“Não tem pagamento de juros, o que acaba tendo é uma taxa de administração pela instituição que organiza o consórcio, e essa taxa é bem mais baixa do que os juros que se paga na compra de um imóvel, por exemplo. É como se você pagasse adiantado, mas ainda não tem o bem. Você vai dando um dinheirinho todo mês e pode ser sorteado no primeiro ou no último mês.”
Além do sorteio, o consórcio permite que os participantes ofereçam lances para antecipar a contemplação da carta de crédito, o que pode acelerar a aquisição do bem.
Riscos e cuidados na adesão ao consórcio: Apesar das vantagens, o professor alerta para a necessidade de cautela na escolha da instituição responsável pelo consórcio. É fundamental optar por empresas confiáveis e consolidadas no mercado para evitar golpes e fraudes, que têm sido registrados em diferentes setores.
“Desde que seja uma instituição confiável, o consórcio é seguro. Mas depende muito da instituição que está fazendo o consórcio. Temos visto muitos golpes, então é preciso tomar cuidado para não entrar numa cilada. Geralmente, instituições grandes e conhecidas oferecem maior segurança.”
Outro ponto importante é a inadimplência. Participantes que enfrentam dificuldades financeiras podem deixar de pagar as parcelas, o que pode resultar na perda dos valores já investidos, conforme previsto em contrato. Por isso, o planejamento financeiro é essencial antes de aderir a um consórcio.
“A pessoa pode entrar em dificuldade, não fazer o planejamento direito e acabar não pagando as parcelas. Tudo que foi pago pode ser perdido, dependendo do contrato. É importante ler atentamente as cláusulas para entender o que se perde ou não em caso de inadimplência.”
Planejamento financeiro e alternativas: O professor destaca que o consórcio é uma opção interessante para quem não tem pressa na aquisição do imóvel, já que a contemplação pode ocorrer a qualquer momento durante o período do grupo. Para quem deseja comprar o imóvel imediatamente, o financiamento tradicional pode ser mais adequado, apesar dos custos maiores com juros.
Outra alternativa mencionada é o planejamento financeiro pessoal, que pode incluir a reserva de recursos para dar uma entrada maior no imóvel e, assim, reduzir o valor financiado e os juros pagos.
“Tudo tem que ser planejado e ponderado. Se você vai entrar no financiamento, precisa ter capacidade para pagar as parcelas. Se vai entrar no consórcio, também precisa ter capacidade para pagar as parcelas. No consórcio, há a taxa de administração, mas não há juros. Guardar dinheiro para dar entrada também é uma opção, que pode reduzir o custo total.”
Informações adicionais
A Associação Brasileira de Consórcios destaca que o crescimento do setor reflete a busca por alternativas de crédito diante do cenário econômico atual, marcado por juros elevados. No entanto, a decisão entre consórcio e financiamento deve considerar o perfil e a necessidade de cada consumidor, especialmente em relação ao tempo disponível para a aquisição do imóvel e à capacidade financeira para arcar com os compromissos mensais.



