O número de proprietários de veículos que não pagaram o IPVA aumentou em 2025 em cidades da região de Ribeirão Preto. Os dados mostram crescimento da inadimplência em municípios como Ribeirão, Franca e Barretos, na comparação com 2024.
Em entrevista à CBN Ribeirão, a economista Paula Velho afirmou que o cenário econômico, marcado por juros elevados, inflação ainda pressionando o orçamento das famílias e renda comprometida, ajuda a explicar o avanço das dívidas tributárias.
Ribeirão e Franca
Em Ribeirão Preto, quase 40 mil veículos ficaram inadimplentes em 2024, somando mais de R$ 9 milhões em débitos. No ano seguinte, o número de devedores subiu para mais de 56 mil proprietários, embora o valor total devido tenha sido menor.
Já em Franca, segunda maior cidade da região, o aumento foi mais expressivo. Em 2024, mais de 7,5 mil proprietários deixaram de pagar o imposto, gerando cerca de R$ 13 milhões em débitos. Em 2025, esse número saltou para mais de 21 mil inadimplentes.
Pressão financeira
Segundo Paula Velho, mesmo com crescimento do emprego e leve alta da renda, as famílias seguem pressionadas.
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“As famílias ainda estão muito pressionadas pela questão dos juros altos”, afirmou.
A economista explica que boa parte da renda está comprometida com dívidas antigas, o que faz com que muitos contribuintes priorizem despesas essenciais, como energia elétrica, e deixem os impostos para depois.
Paula destaca que o não pagamento do IPVA é uma decisão difícil, mas comum em períodos de aperto financeiro. Ela alerta, no entanto, para as consequências: além de juros e multa, o veículo pode ser apreendido em fiscalizações, o que compromete a mobilidade e até a geração de renda de famílias que dependem do carro para trabalhar.
Planejamento
Para a economista, o planejamento financeiro é essencial, mesmo em cenários adversos. Pequenas mudanças no dia a dia, como controle de gastos no supermercado e redução do uso do carro, podem ajudar a evitar o acúmulo da dívida.
Paula Velho também chama atenção para o impacto da inadimplência nos cofres públicos. Parte do IPVA fica com os municípios e é fundamental para equilibrar as contas locais, ao lado de tributos como o IPTU.



