São 6,5 milhões de negativados; Clayton Guimarães fala como se reorganizar para não comprometer os negócios
O número de empresas brasileiras negativadas bateu recorde em 2023, atingindo 6,5 milhões, segundo dados de dezembro do ano passado. Isso representa um total de R$ 113 bilhões em dívidas atrasadas, com 90% desse valor concentrado em micro e pequenas empresas (MPEs).
Inadimplência recorde: um retrato da situação
Cada empresa inadimplente possui em média sete dívidas vencidas, totalizando R$ 2.500. O setor de serviços lidera o ranking de inadimplência, representando 53,8% do total. A principal causa apontada é o aumento dos juros do Banco Central em 2023, que impactou a capacidade de pagamento das empresas, reduzindo vendas e gerando um efeito cascata em toda a cadeia produtiva.
A crise e seus reflexos
A pandemia também deixou marcas profundas. Muitas indústrias operaram com capacidade reduzida, impactando a oferta de produtos e elevando os preços. Com o fim da pandemia, a retomada da produção não ocorreu na mesma proporção devido à baixa demanda do mercado consumidor. Essa situação complexa resulta em um cenário econômico desafiador.
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Caminhos para a recuperação
Diante desse cenário, a renegociação de dívidas com credores e o controle de gastos são medidas essenciais para as empresas buscarem a recuperação financeira. O governo anunciou um pacote econômico para auxiliar famílias endividadas, mas ações específicas para apoiar as MPEs ainda são esperadas. A situação das MPEs é preocupante, considerando que elas são responsáveis por 27% do PIB e 52% dos empregos formais no país. A mistura entre o orçamento familiar e empresarial contribui para a alta taxa de mortalidade dessas empresas, com cerca de 50% fechando as portas antes de completarem dois anos de atividade. Um aumento nesse índice é esperado nos próximos meses.