Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marco Guarizzo
Os índices de criminalidade em Ribeirão Preto, referentes ao mês de atrássto, foram divulgados pela secretaria estadual de segurança pública nesta quinta-feira. Embora a maioria dos indicadores tenha apresentado variações pouco significativas, alguns dados merecem atenção especial, como o aumento nos casos de homicídio doloso.
Aumento nos Homicídios Dolosos
O número de homicídios dolosos, aqueles com intenção de matar, saltou de 18 para 28, resultando em 30 vítimas fatais. Segundo o professor Sérgio Codato, do Observatório da Violência da USP Ribeirão, esse aumento é um indicativo de que a criminalidade na região continua em ascensão. Codato ressalta que o índice de homicídios por 100 mil habitantes é um importante termômetro da violência e da criminalidade, e o aumento observado aponta para uma necessidade de ações mais eficazes por parte das autoridades.
Tráfico de Drogas e Produtividade Policial
Apesar da queda de 4% nas ocorrências de tráfico de drogas (de 488 para 468), o número de prisões relacionadas ao tráfico aumentou significativamente, passando de 170 para 248. Codato sugere que essa dinâmica pode indicar uma migração dos criminosos para outras modalidades de crime. Ele observa que, embora as ações repressivas e preventivas da polícia estejam ocorrendo, elas ainda não são suficientes para conter o crescimento do crime organizado. As variações nos roubos, segundo o especialista, estão dentro da margem de erro, com o crime organizado adaptando suas estratégias de acordo com a atuação das forças policiais.
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Furtos e Roubos de Veículos
O número de veículos furtados e roubados também apresentou um aumento em atrássto, totalizando 838 ocorrências contra 804 em julho. A recuperação de veículos, por outro lado, diminuiu, com 155 veículos recuperados em atrássto, cinco a menos que no mês anterior. Codato enfatiza que, se o roubo de carros está aumentando, a recuperação também deve acompanhar esse crescimento. Ele acredita que as ações policiais, embora presentes, ainda são insuficientes para atingir o núcleo do problema, que é o tráfico, a distribuição e o consumo de drogas.
Em resumo, os dados de atrássto revelam um cenário complexo, onde o crime organizado se adapta e busca novas formas de atuação, exigindo das autoridades uma resposta mais abrangente e eficaz.



