Pesquisa foi feita em 92 hospitais do estado; casos suspeitos também aumentaram no período, 82%
Uma pesquisa realizada pelo sindicato dos hospitais, clínicas e laboratórios do estado de São Paulo aponta aumento de 71% nas internações por covid-19 e dengue no período imediatamente após o Carnaval. O levantamento, feito entre 29 de fevereiro e 10 de março com 92 hospitais privados do estado — 64% na capital e 36% no interior — também mostrou que 82% das unidades registraram alta no número de casos suspeitos atendidos em pronto-socorro e serviços de urgência nos últimos 15 dias.
Dados do levantamento e comparação com pesquisa anterior
Segundo o sindicato, a nova sondagem foi realizada 30 dias após a pesquisa anterior, que havia apontado apenas aumento de casos de dengue, com registros de covid-19 raros. A combinação do período pós-folias e a retomada das atividades escolares é citada como fator para a elevação dos atendimentos e internações observada no início de março.
O que diz a autoridade ouvida
O médico Rodrigo Nóbrega, presidente do sindicato regional dos hospitais, afirmou que, embora a pandemia tenha passado por seu pico, a covid-19 continua circulando e ocasiona internamentos. “Com o advento da vacina e o fim da fase aguda da pandemia, os casos ficaram, em geral, mais leves e a mortalidade diminuiu, mas o vírus ainda provoca casos graves”, explicou. Ele ressaltou que o aumento observado não significa que 71% dos hospitais estejam lotados de pacientes com covid-19, mas sim que 71% das unidades pesquisadas registraram um acréscimo no número de internações por essa causa.
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Nóbrega também apontou para a importância das medidas de prevenção: higienização das mãos, uso de álcool gel e, em situações de sintomas respiratórios ou ambientes com muita gente, a recomendação de usar máscara. “Não é necessário o rigor do período mais crítico da pandemia, mas os cuidados básicos devem ser mantidos para reduzir a transmissão de covid e de outras infecções respiratórias”, disse.
Riscos e perspectiva epidemiológica
O médico lembrou que a covid-19 ainda provoca mortes, citando notificações recentes, e que o risco se mantém para pessoas sem vacinação, com imunidade variando conforme o tipo de vacina e o tempo decorrido desde a última dose. Ele também destacou que além da covid e da dengue, outras doenças infecciosas — como gripe e pneumonias bacterianas — continuam a causar internações e óbitos.
Para Nóbrega, o padrão observado em fevereiro e março — com retorno das viroses respiratórias e aumento de atendimentos — é frequentemente associado à volta às aulas e ao fim das férias, e tende a se manter até a estabilização nos meses seguintes, conforme o comportamento sazonal dessas doenças.
Autoridades e gestores de saúde acompanham os dados e reforçam mensagens de prevenção, tanto para reduzir casos graves quanto para evitar sobrecarga nos serviços de urgência e internação.



