Foram 472 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, um aumento de 70% comparado ao ano anterior
Em 2024, o Brasil registrou 472 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, Número de licenças por saúde mental, o maior número dos últimos 10 anos, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Esse total representa um aumento de quase 70% em relação a 2023. No estado de São Paulo, os principais motivos para as licenças são ansiedade e depressão.
No ano anterior, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recebeu 3,5 milhões de pedidos de licença médica por diversos tipos de doenças, sendo quase meio milhão relacionados à saúde mental, o maior volume em uma década.
Contexto e fatores associados: A psicóloga Jéssica Fulioto, especialista em saúde mental no trabalho, destaca que a pandemia de Covid-19 pode ter agravado um quadro já existente, funcionando como uma “gota d’água” para o aumento dos transtornos mentais. Ela ressalta que o ambiente de trabalho atual, com cobranças por resultados e sobrecarga, contribui para o crescimento dos casos de ansiedade, depressão e burnout.
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Sintomas e identificação precoce: Entre os primeiros sinais de transtornos mentais no trabalho estão irritabilidade, defensividade, falta de ânimo, sensação de agitação interna, angústia e procrastinação. Jéssica explica que irritabilidade pode ser um sintoma tanto de depressão quanto de ansiedade e alerta para a importância de reconhecer esses sinais para buscar tratamento adequado.
Tratamento e afastamento: O afastamento do trabalho pode ser necessário dependendo do grau do transtorno e do ambiente laboral. Jéssica recomenda que a decisão seja avaliada por um profissional de saúde, considerando a situação financeira e o estado clínico do trabalhador. Em casos de ambientes aversivos que provocam crises de pânico, o afastamento pode ser o melhor caminho para a recuperação.
Responsabilidade das empresas e liderança
A nova Norma Regulamentadora 1 (NR1) estabelece que as empresas têm responsabilidade sobre a saúde mental dos trabalhadores. No entanto, Jéssica destaca que muitos líderes ainda não possuem formação adequada para identificar e lidar com esses casos, o que demanda investimento em psicoeducação e treinamentos dentro das organizações.
Ela também ressalta que a saúde mental impacta diretamente nos custos das empresas, seja pelo afastamento dos funcionários ou pela necessidade de implementar políticas de cuidado e prevenção. Muitas companhias já adotam protocolos e treinamentos para tratar o tema, que antes era considerado um tabu.
Entenda melhor
Para melhorar o ambiente de trabalho para pessoas com transtornos mentais, é fundamental que o colaborador comunique a gestão, que deve avaliar se o ambiente é um fator agravante. A relação entre colaborador e empresa deve ser de troca e compreensão, considerando também fatores pessoais do trabalhador. Em alguns casos, pode ser necessária uma reorientação profissional ou mudança de carreira.



