Motoristas apontam que o valor investido em um veículo de aluguel é mais em conta do que comprar um carro próprio
O setor de locação de carros registra crescimento contínuo desde a pandemia, impulsionando aquisição de veículos pelas locadoras, especialmente no estado de São Paulo. Só no ano passado foram incorporados mais de 138.610 automóveis à frota das empresas do segmento.
Expansão de frotas para atender à demanda
Empresários relatam ampliação das frotas para suprir a demanda crescente. Luís Teodoro, sócio de uma empresa de locação na região, afirma que a meta para este ano é quase dobrar a frota. Segundo ele, a opção por modelos mais novos e de padrão elevado tem justificativa prática: veículos com baixa quilometragem reduzem custos operacionais e facilitam a rotatividade da frota.
Teodoro conta que a decisão veio após contato com uma rede de locação em que a gestão oferece suporte total — desde seguro até assistência fora da cidade — o que diminui o impacto de manutenção, troca de óleo e pneus. Para ele, esse modelo tem sido vantajoso porque elimina a necessidade de gerenciar seguro e reparos diretamente, permitindo renovação frequente dos veículos.
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Mudanças no comportamento e nos custos
O comportamento dos consumidores também mudou: há maior preferência por pagar pelo uso em vez de arcar com a posse do veículo. A pandemia alterou hábitos de deslocamento, enquanto a alta nos preços e a desvalorização dos automóveis influenciam as decisões de compra e renovação das frotas. Operadores do setor afirmam que formatos como locação eventual, assinatura para pessoa física e terceirização de frotas para empresas ganharam espaço.
Participação no mercado e impacto industrial
Paulo Miguel Jr., vice-presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, destaca que o setor hoje responde por cerca de 30% dos emplacamentos nacionais ligados a aquisições por locadoras. Em São Paulo, as compras pelas locadoras subiram de 27.604 veículos em 2021 para 120.310 em 2022 — um salto de aproximadamente 300% — e chegaram a 138.610 no ano passado, consolidando o segmento como importante componente da estabilidade da indústria automotiva no Brasil.
Analistas e executivos veem no aumento das aquisições pelas locadoras não apenas uma reação à demanda imediata, mas também uma tendência de mercado que reforça modelos de consumo baseados no uso e na flexibilidade de gestão de frotas.



