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Número de mulheres que realizam exame de mamografia está abaixo do ideal

Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Sandra Lambert
Número de mulheres que realizam exame
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A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que mulheres a partir dos 40 anos realizem mamografia anualmente, com repetição do exame a cada dois anos para quem tem mais de 50. Na região de Barretos, no interior de São Paulo, onde funciona um dos principais centros de tratamento oncológico do país, apenas 46% das mulheres seguem essas orientações, segundo dados locais.

Importância do rastreamento precoce

Para a médica radiologista Ana Paula Watanabe, do Hospital do Câncer de Barretos, a meta ideal seria que 70% das mulheres fizessem mamografia regularmente. Ela destaca que o exame encontra tumores em estágios muito iniciais: “A mamografia detecta o tumor numa fase muito pequena, numa fase onde o dedinho nosso não sente esse tumor dentro da nossa mama nem do médico. Para o médico sentir, às vezes o tumor precisa estar com dois centímetros, e a mamografia consegue encontrar um nódulo menor de 0,5, 1,0 centímetro, numa fase muito mais precoce, numa fase onde eu tenho maiores chances de cura dessa mulher.”

Vidas afetadas pelo diagnóstico precoce

Casos locais ilustram o impacto do rastreamento. A professora Zilda Aparecida Lopes descobriu, há quatro anos, um tumor do tamanho de uma ervilha sem apresentar qualquer sintoma, após ser convencida por uma amiga a fazer o exame. Devido ao pequeno tamanho do nódulo, ela não precisou de radioterapia ou quimioterapia. A comerciante Maria de Fátima Medeiros relata que havia adiado a mamografia por medo, mas descreve a experiência no hospital como tranquila: “Eu estava com muito medo, muito medo. Para mim foi tudo bem. A mamografia, e eu te falo que eu não senti dor”, disse, ressaltando a importância de medidas que diminuam a ansiedade das pacientes.

Barreiras e ações para ampliar a cobertura

Profissionais apontam que a falta de conscientização e o receio da dor são os principais obstáculos à realização da mamografia. Para reduzir essas barreiras, o Hospital do Câncer de Barretos alterou a estrutura e o atendimento: climatização da sala de exame, iluminação adequada, música ambiente e ampliação do horário de atendimento até as 22h. No âmbito estadual, a Secretaria de Saúde lançou uma campanha dirigida a mulheres entre 50 e 69 anos que permite a realização do exame sem necessidade de pedido médico, medida destinada a facilitar o acesso.

Até o momento, ainda não foram divulgados dados sobre o impacto das mudanças implementadas pelo hospital nem sobre a adesão à campanha estadual. Especialistas ouvidos afirmam ser necessário monitorar os resultados e manter campanhas contínuas para ampliar a cobertura e melhorar a detecção precoce do câncer de mama.

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