Segundo a Serasa, 6,5 milhões de empresas entraram em dívidas em fevereiro deste ano; economista Luiz Rabi analisa o estudo
Em fevereiro de 2023, o Brasil registrou um recorde histórico de inadimplência empresarial, com 6,5 milhões de empresas negativadas e um total de R$ 13 bilhões em dívidas. Esse número representa o maior valor desde o início da série histórica do índice da Serasa Experian, em 2016.
Setores mais afetados
O setor de serviços foi o mais impactado, representando quase 54% das empresas negativadas. Esse índice vem crescendo nos últimos anos, saltando de menos de 50% há quatro anos para o patamar atual. A pandemia agravou a situação, afetando diretamente setores como restaurantes, hotéis e turismo.
Causas da alta inadimplência
Apesar da superação dos impactos econômicos diretos da pandemia, a inadimplência empresarial continua crescendo. Um dos principais fatores é a alta inflação, que atingiu quase 13% em 2022, afetando o poder de compra dos consumidores e resultando em maior inadimplência no varejo e na prestação de serviços. O aumento dos juros também contribuiu para o cenário, elevando os custos financeiros das empresas e dificultando o pagamento de dívidas.
Cenário econômico e perspectivas futuras
A desaceleração da atividade econômica, com quedas no volume de vendas e produção, agrava ainda mais a situação. A combinação de estagnação econômica, juros altos e inadimplência crescente cria um cenário desafiador para as empresas brasileiras, aumentando a possibilidade de fechamentos e demissões. Somente com a redução da inflação e dos juros, e consequente queda na inadimplência, é que se espera uma melhora no panorama econômico.
Em Ribeirão Preto, o número de empresas negativadas também aumentou, passando de 47.303 em janeiro para 48.243 em fevereiro. Embora o interior do país, em geral, apresente situação menos crítica que os grandes centros urbanos devido à força do agronegócio, o aumento da inadimplência é uma realidade presente em todo o território nacional.



