De janeiro a setembro foram 88 em 2022 contra 37 no ano passado; pesquisador Vitor Valenti analisa o crescimento de casos
O número de casos de gripe em Ribeirão Preto mais que dobrou em 2022, em comparação com o mesmo período de 2021. De janeiro a setembro de 2022, foram registrados 88 casos, enquanto em 2021 foram 37, segundo dados da Secretaria da Saúde.
Baixa adesão à vacinação e imunidade reduzida
Para o professor e pesquisador da Unesp, Vitor Valentes, a baixa adesão à vacinação contra a gripe é um dos principais fatores para o aumento de casos. A priorização da vacinação contra a Covid-19 pode ter levado muitas pessoas a negligenciarem a imunização contra a gripe. Além disso, as medidas preventivas da pandemia, como o uso de máscaras e o distanciamento social, reduziram a exposição ao vírus da gripe, levando a uma imunidade diminuída na população. Com o retorno às atividades normais, houve um aumento na circulação do vírus.
Subnotificação e a necessidade de monitoramento
O professor Valentes destaca a possibilidade de subnotificação dos casos. Ele estima que o número real de infecções pode ser muito maior do que o registrado oficialmente, uma vez que muitos casos leves ou assintomáticos não são relatados. O monitoramento constante é crucial para detectar possíveis mutações do vírus e prevenir surtos mais graves, como o ocorrido em 2009 com o vírus H1N1. A situação na Austrália, que enfrenta um dos piores surtos de gripe de sua história, serve como alerta.
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Grupos de risco e cuidados essenciais
A gripe, apesar de muitas vezes subestimada, pode ser fatal, principalmente para grupos de risco como idosos, crianças menores de cinco anos, pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares, fumantes e sedentários. A taxa de letalidade da gripe pode ser superior à da Covid-19 em alguns grupos populacionais. A orientação é para que as pessoas se vacinem, utilizem máscaras em aglomerações e procurem atendimento médico caso apresentem sintomas. A prevenção e o monitoramento são fundamentais para controlar a disseminação da doença e evitar sobrecarga nos sistemas de saúde.



