Estudo realizado em junho apontou que 67% dos brasileiros preferem o modelo CLT, queda de 10% em relação à última em 2022
O número de pessoas que preferem trabalhar de forma autônoma tem crescido, motivado principalmente pela busca por flexibilidade e melhores ganhos financeiros. Apesar disso, a maioria dos brasileiros ainda prefere o emprego tradicional com carteira assinada (CLT). Segundo pesquisa do Instituto Datafolha, em 2022, 77% dos brasileiros preferiam o modelo CLT, percentual que caiu para 67% atualmente.
Débora Blanco, nutricionista, exemplifica essa mudança ao relatar sua transição do regime CLT para o trabalho como pessoa jurídica (PJ). Ela destaca a flexibilidade como principal benefício, além de um aumento significativo no faturamento. Segundo Débora, no regime CLT, é necessário cumprir uma carga horária fixa, enquanto no PJ ela conquistou liberdade para organizar seu horário de trabalho.
Débora Blanco: “Quando a gente trabalha no CLT, precisa cumprir aquela carga horária determinada. Se você entra às 7 da manhã, às 7 horas da manhã tem que estar batendo o ponto. Essa é uma flexibilidade que conquistei com o PJ. Foi um processo. Migrar do CLT para o PJ, primeiro alcancei essa igualdade e, quando superou, fui mesmo sem receio. O financeiro na parte do PJ me surpreendeu bastante.”
Entretanto, a consultora de recursos humanos Talita Mendonça alerta que o trabalho autônomo não é adequado para todos, pois exige planejamento financeiro e estrutural. Ela recomenda que a transição seja feita com um plano de ação bem definido e uma reserva financeira suficiente para pelo menos seis meses, idealmente doze, para garantir segurança durante o processo.
Talita Mendonça: “É importante fazer um plano de ação, entender onde a pessoa quer chegar e ter uma reserva financeira. Precisamos de pelo menos seis meses do custo de vida, mas o ideal são 12 meses para uma transição mais segura.”
Além disso, ao migrar para o regime PJ, é necessário abrir um CNPJ, preferencialmente como MEI, emitir nota fiscal e contar com o suporte de um contador, cumprindo obrigações legais e fiscais. A consultora exemplifica que muitas vezes a transição ocorre de forma natural, como no caso de pessoas que começam a empreender em atividades paralelas, ou por necessidade, como após uma demissão.
O crescimento do trabalho autônomo foi acelerado após a pandemia, quando o home office se tornou mais comum e muitas pessoas passaram a buscar formas de empreender em áreas de interesse pessoal. A pesquisa do Instituto Datafolha também mostra que a mudança é mais expressiva entre os jovens, cuja preferência pelo regime CLT caiu de 82% para 66%. Para esse grupo, a flexibilidade e a qualidade de vida no trabalho são fatores decisivos.
Talita Mendonça: “Os jovens valorizam muito a flexibilidade e a qualidade de vida. Se não gostam do ambiente de trabalho, não ficam apenas pelo financeiro, buscam outras oportunidades onde se sintam melhor e produzam mais.”
Para quem deseja fazer a transição para o trabalho autônomo, Talita recomenda buscar ajuda de especialistas para avaliar o perfil profissional, definir um plano de ação e se preparar para atuar com alta performance na nova modalidade.
Talita Mendonça: “Procure um especialista para fazer a transição de carreira, entender seu perfil e montar um plano de ação seguro. Estude e aperfeiçoe-se para aumentar a produtividade e o faturamento no PJ.”
Talita Mendonça compartilhou sua experiência pessoal, afirmando que fez a transição há três anos, iniciando sozinha na consultoria de RH e hoje conta com uma equipe. Ela considera a mudança positiva e recomenda o caminho para quem deseja empreender.



