De manipulação de lúpulo ao desenvolvimento de pele in vitro, cada vez mais mulheres participam de pesquisas e inovações
O número de startups fundadas exclusivamente por mulheres cresceu nos últimos dois anos em Ribeirão Preto. Um levantamento do Polo Tecnológico da cidade aponta que a participação feminina entre as empresas jovens e inovadoras subiu de 14% em 2022 para 17% em 2023.
Aumento e perfil das empreendedoras
De acordo com Mariana Gil, do Supera Parque, há um movimento mais visível de mulheres entrando no ecossistema de inovação. “A gente vê que as mulheres estão entrando mais nesse ramo, estão se mostrando mais interessadas”, diz. Segundo ela, a área de saúde tem atraído muitas empreendedoras, mas as fundadoras estão se distribuindo por diferentes segmentos.
Desafios para ganhar mercado
Empresas incubadas em Ribeirão Preto relatam obstáculos técnicos, operacionais e mercadológicos. É o caso da startup de biotecnologia liderada por Sabrina Condes, que trabalha com a manipulação do lúpulo — ingrediente importante na produção de cerveja. “São muitos desafios, tanto técnicos, operacionais mesmo, quanto de mercado. A gente está entrando num mercado que é novo ainda, praticamente no Brasil”, afirma Condes.
Leia também
Ela destaca também a competitividade com insumos importados: “Hoje muitas leveduras que a gente usa são importadas. Então a gente tem que romper essa barreira cultural primeiro para colocar o nosso produto nacional no mercado”.
Ciência aplicada e alternativas aos testes em animais
Outra fundadora citada no levantamento, Francínia Oliveira, criou uma empresa com o irmão que mistura ciência e biotecnologia para desenvolver pele in vitro a partir de células humanas. O objetivo é oferecer modelos que reduzam ou substituam testes em animais e auxiliem estudos clínicos, evitando riscos desnecessários a voluntários humanos.
“Está acontecendo uma grande mudança mundial a respeito da substituição de modelos animais por modelos in vitro”, observa Francínia, apontando que esses sistemas têm ganhado espaço como alternativa ética e científica.
O crescimento da participação feminina em startups da região reflete uma combinação de interesse por áreas como saúde e biotecnologia, além de uma presença crescente em projetos de pesquisa e inovação que enfrentam barreiras técnicas e de mercado, mas também abrem novas oportunidades para produtos e serviços nacionais.



