São 75 iniciativas que fomentam, principalmente, a inteligência artificial e o monitoramento do clima e plantações
A AgriShow voltou a reservar um espaço exclusivo para startups no campo da tecnologia agrícola: a AgriShow Labs. Nesta edição, o evento trouxe 75 projetos de inovação voltados a empresas com até dez anos de fundação, e a inteligência artificial apareceu como protagonista das soluções apresentadas, segundo relatos do repórter Samuel Santos.
Mapeamento de lavouras e economia de insumos
Entre as novidades está a solução desenvolvida pela empresa cofundada por Henrique Del Papa, especializada em cana-de-açúcar e soja. O sistema usa inteligência artificial para mapear falhas nas plantações, identificar ervas daninhas e estimar a produtividade da colheita. A tecnologia já opera em mais de 60 usinas no país.
Del Papa afirma que o uso da ferramenta pode reduzir em até 65% o consumo de herbicidas. ‘As tecnologias vêm buscando driblar as dificuldades de um território tão grande e com tantas adversidades’, disse ele, ressaltando o papel da integração entre empresas que atuam em comunicação, produtividade e economia para alavancar o agronegócio nacional.
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Conectividade como desafio e solução
Para que aplicações baseadas em inteligência artificial funcionem no campo, a conectividade é apontada como o principal desafio. Del Papa observa que empresas de telefonia e provedores de internet ampliam a cobertura rural e que a conectividade por satélite tem se tornado aliada importante para levar sinal a áreas remotas. ‘As grandes operadoras já se movimentam para montar torres no campo’, comentou, destacando a presença de estandes de operadoras na feira.
O executivo lembra que máquinas agrícolas precisam hoje se comunicar via IoT com escritórios e centros de controle, e que isso depende do sinal vindo tanto de satélites quanto de torres de celular.
Previsões meteorológicas e decisões de manejo
Outra frente mostrada na AgriShow foi o monitoramento climático. Guilherme Martins, gerente de negócios de uma empresa americana de agrometeorologia, apresentou uma estação capaz de captar dados climáticos e da planta para alimentar sistemas que ajudam o produtor a tomar decisões. Segundo ele, embora o clima não possa ser controlado, pode ser previsto — e previsões locais mais precisas permitem ajustar operações em campo.
Martins descreveu que seu sistema integra dados locais com previsões de provedores globais, como a plataforma Azure, e reprocessa essas informações com inteligência artificial, alcançando mais de 95% de assertividade em previsões locais. Para ele, a adoção da IA no agro é irreversível: ‘É um caminho sem volta. A inteligência artificial vem potencializar a produtividade no campo’.
A AgriShow Labs segue aberta até sexta-feira, com palestras e visitação às empresas. Cleiton Guimarães, head de inovação e curador do espaço, ressaltou a diversidade de tecnologias exibidas — do monitoramento ao uso de IA, passando por engenharia genética e produção de bioprodutos — todas orientadas ao público do campo.
O evento reforça a aproximação entre ciência e alta tecnologia, buscando soluções com custo acessível para produtores de diferentes portes e propostas práticas para os desafios do agronegócio brasileiro.



