Quem analisa o serviço na cidade é o professor e pesquisador André Lucirton Costa
O transporte público de Ribeirão Preto tem sido alvo de muitas reclamações. Em 2023, a Transepe registrou uma média de 11 queixas diárias, um número superior ao registrado em 2022 (2.794 queixas de janeiro a agosto) e 2021 (2.704 queixas). Entre os principais motivos de reclamação estão ônibus lotados, atrasos e a má qualidade da frota.
Análise da situação
O professor André Lucertón Costa, pesquisador e diretor da Faculdade de Economia e Administração da USP de Ribeirão Preto, afirma que essa quantidade de reclamações é irreais. Segundo ele, o contrato de concessão estabelece parâmetros e penalidades para o não cumprimento das especificações, incluindo a renovação da frota. A justificativa de que os custos aumentaram devido à gratuidade para idosos, pessoas com deficiência e estudantes não é suficiente para justificar a má qualidade do serviço. O professor argumenta que a má qualidade do transporte público leva os passageiros a buscarem alternativas como motos, Uber e aplicativos de entrega, reduzindo a receita do sistema e criando um ciclo vicioso.
Sustentabilidade e Planejamento Urbano
A falta de uso do transporte público é um problema sério para o município, pois representa uma estrutura de custo fixo que não se sustenta com a baixa demanda. Para o professor Costa, uma cidade sustentável precisa de um planejamento urbano que priorize o transporte público, e não o individual. A lógica de privilegiar o carro vai na contramão do que o mundo precisa.
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Soluções para o problema
O professor destaca a necessidade de transparência no sistema de custeio do transporte público. Ele defende a criação de uma contabilidade específica para o sistema de Ribeirão Preto, separada de outras concessões, com dados reais sobre custos de combustível e manutenção. A implementação de um sistema de controle de frota com rastreadores e uma plataforma de consulta pública também é crucial. Para o professor, essa transparência dará legitimidade para discutir o financiamento público do sistema, desde que haja mecanismos para controlar o uso desses recursos e garantir que o dinheiro seja investido na melhoria do transporte público e não apenas nas empresas.
Em resumo, a solução para os problemas do transporte público em Ribeirão Preto passa pela transparência, pela modernização da gestão e pelo planejamento urbano que priorize a mobilidade sustentável. Somente assim será possível oferecer um serviço de qualidade e atrair mais passageiros.



