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O ‘efeito sanfona’ e os riscos de doenças metabólicas e de alterações cardiovasculares

Médico cardiologista, Fernando Nobre, explica os motivos pelos quais a perda e recuperação rápida de peso pode ser maléfica
O efeito sanfona e os riscos
Médico cardiologista, Fernando Nobre, explica os motivos pelos quais a perda e recuperação rápida de peso pode ser maléfica

Médico cardiologista, Fernando Nobre, explica os motivos pelos quais a perda e recuperação rápida de peso pode ser maléfica

O cardiologista Dr. Fernando Nobre, da coluna CPM Saúde, chama atenção para os perigos do chamado efeito sanfona — a perda seguida de novo ganho de peso — que, segundo estudos, pode aumentar o risco de eventos cardíacos.

O que é o efeito sanfona

O efeito sanfona ocorre quando uma pessoa perde uma quantidade significativa de peso e, em seguida, recupera todos os quilos perdidos, às vezes ultrapassando o peso inicial. Além do impacto estético e emocional, essa oscilação afeta variáveis metabólicas como glicemia, lipídios, insulina, pressão arterial e frequência cardíaca, transformando-se em um fator de risco para o organismo.

Evidências sobre risco cardiovascular

Em um trabalho apresentado em um congresso americano de cardiologia em New Orleans, pesquisadores acompanharam por 11 anos mais de 150 mil mulheres de diferentes categorias de peso. O estudo mostrou que mulheres com peso normal que perderam cerca de 4,5 kg e depois recuperaram esse peso tiveram um risco 3,5 vezes maior de morte súbita e 66% maior de infarto em comparação com aquelas que mantiveram o peso estável. Curiosamente, esse aumento de risco não foi observado entre participantes com sobrepeso ou obesidade.

Os autores sugerem que as flutuações de peso promovem variações nos níveis de açúcar, colesterol e insulina, além de alterações na pressão arterial e na frequência cardíaca. Apesar das observações, o trabalho admite críticas metodológicas e deixa perguntas em aberto, indicando a necessidade de novas pesquisas para esclarecer mecanismos e populações afetadas.

Tratamentos, dietas e recomendações

A medicina tem buscado respostas para a epidemia da obesidade, incluindo medicamentos que, muitas vezes, apresentam efeitos adversos que limitam seu uso. Intervenções dietéticas também enfrentam dificuldades: mudanças de hábito são complexas e a adesão costuma ser baixa. Um estudo nos Estados Unidos, de 2005, comparou quatro dietas conhecidas — Atkins, Zone, Vigilantes do Peso (Weight Watchers) e Ornish — e concluiu que a perda de peso foi semelhante entre elas, mas entre 35% e 50% dos participantes já haviam abandonado os programas após 12 meses.

Diante disso, os especialistas consultados por Dr. Nobre reforçam que a melhor estratégia é manter um peso saudável e estável, com acompanhamento médico e mudanças graduais de comportamento alimentar e de atividade física.

O cardiologista reúne essas informações na página 201 do livro Lições para cuidar bem do coração, escrito por ocasião dos cinco anos da coluna CBN Saúde. Dr. Fernando Nobre retoma o tema em próximas edições da coluna.

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