Governo enfrenta dificuldades para alavancar determinados projetos; Nelson Rocha Augusto comenta os reflexos econômicos
O Brasil enfrenta atualmente uma forte disputa política envolvendo o Executivo, O embate entre Poder Executivo e, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem impactado a aprovação de medidas importantes para o orçamento do governo e reformas estruturantes. Entre os temas em debate está a majoração do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que está sob análise do STF, e a proposta de isenção do imposto de renda para pessoas que ganham até R$ 5 mil, uma bandeira política do presidente Lula desde a eleição, mas que ainda não avançou no Congresso.
Segundo especialistas, essa disputa política tem gerado impasses que prejudicam o avanço de reformas necessárias para o país, como a reforma tributária, administrativa e melhorias no sistema de justiça, considerado caro e ineficiente. A falta de harmonia entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dificulta a construção de consensos e afeta negativamente a economia e a população.
Contexto político e impacto econômico
A dificuldade do governo federal em aprovar propostas no Congresso reflete a falta de força política para encaminhar medidas, mesmo aquelas que têm apoio parlamentar. A disputa política e o debate eleitoral para 2024 criam um ambiente desfavorável para a aprovação de reformas estruturantes.
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Desempenho econômico no primeiro semestre: Apesar do cenário político conturbado, a economia brasileira apresentou resultados positivos no primeiro semestre de 2023. O país registrou o menor nível de desemprego da história, com setores enfrentando dificuldade para encontrar mão de obra. A massa salarial atingiu recorde histórico, refletindo aumento no número de pessoas empregadas e na renda média, embora ainda considerada baixa.
O volume de crédito cresceu cerca de 8,5% em termos reais, mesmo com a taxa Selic elevada em 15% ao ano. As exportações continuaram em expansão, e houve aumento nos investimentos, especialmente em infraestrutura e saneamento, embora ainda em níveis historicamente baixos. O Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer cerca de 2,8% a 2,9% em 2023, um desempenho relevante para o padrão brasileiro.
Perspectivas para o segundo semestre
O Banco Central mantém a taxa de juros elevada para controlar a inflação, que já apresenta sinais de queda. Essa política deve frear o ritmo de crescimento econômico nos próximos meses, reduzindo a contratação de trabalhadores, a expansão do crédito e os investimentos. Espera-se que a taxa de juros comece a ser reduzida no final do ano, possivelmente em novembro ou dezembro, caso a situação política permita.
Entenda melhor
O cenário político atual, marcado por disputas entre os três poderes, dificulta a aprovação de reformas estruturantes que poderiam impulsionar o crescimento econômico e melhorar a vida da população. Apesar disso, indicadores econômicos mostram avanços no emprego, renda, crédito e exportações no primeiro semestre de 2023. A continuidade desse desempenho depende da estabilidade política e da condução da política monetária pelo Banco Central.