Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Danielle Zeoti
O ataque à sede do jornal francês Charlie Hebdo chocou o mundo, deixando dezenas de mortos e feridos. Fanáticos religiosos invadiram o local, clamando vingança em nome do profeta. Diante desse cenário, surge a questão: o fanatismo pode se manifestar em atitudes cotidianas, sem a mesma repercussão trágica?
A Indignação e a Necessidade de Ação
A barbárie na França causa indignação, principalmente por ferir a liberdade de expressão. No entanto, a indignação por si só não basta. É preciso transformar esse sentimento em ação, começando pela reflexão. Devemos nos perguntar se o fanatismo se manifesta em nosso dia a dia, em nossas casas, entre nossos vizinhos e colegas de trabalho. O fanatismo se apresenta em diferentes níveis, e é crucial estarmos atentos para diferenciá-lo de discussões acaloradas.
Os Níveis do Fanatismo
É importante distinguir entre a paixão exacerbada, como um grito de gol, e a crença de que a própria vida é determinada por um motivo que deve prevalecer sobre a opinião e a vontade dos outros. Quando essa crença leva a atos agressivos, colocando em risco a vida de si e dos outros, estamos diante do fanatismo. Essa forma de pensar pode estar mais próxima do que imaginamos, exigindo consciência e reflexão para que possamos agir.
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O Perigo do Fanatismo em Grupo
O fanatismo pode ser um sintoma de um quadro psiquiátrico, como um transtorno delirante ou esquizofrenia. Um exemplo é a pessoa com câncer que se recusa a tratamentos convencionais, colocando sua vida em risco ao depositar sua fé em alternativas sem comprovação científica. Além disso, o fanático raramente age sozinho, buscando a companhia de pessoas com pensamentos semelhantes. O fanatismo em grupo se torna perigoso, pois compartilha ideias rígidas, sem espaço para a democracia e o debate, empobrecendo o indivíduo e abrindo caminho para atos violentos.
É fundamental estarmos atentos aos sinais do fanatismo, tanto em nós mesmos quanto nos outros, para evitar que a paixão se transforme em violência e intolerância.