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O futebol brasileiro vive uma crise de identidade?

João Túbero conversa com Carlos Thiengo e Leandro Zago sobre o tema
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João Túbero conversa com Carlos Thiengo e Leandro Zago sobre o tema

João Túbero conversa com Carlos Thiengo e Leandro Zago sobre o tema

Dez anos do 7 a 1: Uma crise de identidade no futebol brasileiro?

Em 8 de julho de 2014, a seleção brasileira sofreu uma das maiores derrotas de sua história: um humilhante 7 a 1 para a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo disputada em casa. Dez anos depois, essa data ainda é lembrada como um marco, levantando questionamentos sobre a identidade do futebol brasileiro e sua trajetória nos anos seguintes. A eliminação recente para o Uruguai na Copa América e a atual posição em sexto lugar nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026 reforçam essa discussão.

Globalização, cultura e o resultado como único critério

Para discutir se o futebol brasileiro atravessa uma crise de identidade, o programa Nas Quatro Linhas ouve especialistas. Leandro Zagam, treinador e professor, argumenta que o problema não é de identidade futebolística, mas sim cultural. A globalização e a velocidade de troca de informações impactam a formação de identidades em todo o mundo, não apenas no Brasil. O foco excessivo no resultado, em detrimento de outros aspectos, também é criticado. A Copa do Mundo, um torneio de apenas sete jogos, se tornou o único parâmetro de sucesso ou fracasso, obscurecendo os avanços em gestão, profissionalização dos clubes e organização do futebol brasileiro como um todo.

Racismo, identidade e o peso da história

Carlos Tiengo, doutor em educação física e especialista em futebol, traz outra perspectiva. Ele relaciona os questionamentos sobre a identidade futebolística brasileira à herança racista do país. Os fracassos da seleção são usados para atacar a identidade de um povo, questionando sua capacidade de ser vitorioso. Tiengo destaca a pluralidade como característica fundamental da identidade futebolística brasileira, fruto da nossa história e da tradição do futebol de rua. Ele cita a capacidade de integrar jogadores com diferentes competências e a singularidade em transformar características individuais em força coletiva.

A discussão sobre a possível inferioridade tática do Brasil em relação a seleções europeias também é abordada. Embora o Brasil domine o futebol sul-americano, enfrenta dificuldades contra times europeus em competições internacionais. A superioridade europeia se deve ao acesso à tecnologia, conhecimento e aos melhores jogadores, mas não se pode ignorar o impacto do viés econômico. Apesar disso, a presença de jogadores brasileiros em todas as finais da Champions League e o Brasil liderando o ranking de transferências internacionais mostram a importância e a valorização do jogador brasileiro no cenário mundial.

Por fim, a relação da torcida brasileira com a seleção é analisada. A identificação, segundo os especialistas, está fortemente ligada aos resultados. A ausência de vitórias em competições internacionais gera um descrédito, mas a conquista de um título pode reacender a paixão e a identificação da torcida com a seleção. A forma como as novas gerações se relacionam com o esporte, influenciada pela tecnologia e pelas novas formas de consumo, também é um fator a ser considerado.

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